Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Laís Torres Rodrigues (UFF)

Minicurrículo

    Doutoranda pelo PPGCine e bolsista CAPES pelo INCT PreRes; atualmente pesquisa sobre a estética do melodrama brasileiro do século XX. Mestra em Cinema e Audiovisual também pelo PPGCine, defendeu a dissertação “Karim, melodramático: gênero, repertório e excesso” sobre a filmografia ficcional de Karim Aïnouz. Graduada em Imagem e Som pela UFSCar, pesquisou e publicou sobre A Vida Invisível (2019), também do diretor, e suas relações intermidiáticas com o melodrama e a literatura.

Ficha do Trabalho

Título

    Lendo Karim no jornal: a crítica e o melodrama nos anos 2000

Mesa

    Melodramas Cinematográficos no Brasil

Resumo

    Esta comunicação pretende identificar o termo “melodrama” nas críticas publicadas sobre o cinema ficcional de Karim Aïnouz e, a partir disso, expor certas tendências na crítica cultural dos anos 2000 e destacar as dissonâncias ou correspondências com a percepção mais recente a respeito de seu cinema. Com isso, espera-se discutir e associar esse levantamento e análise aos estudos contemporâneos de melodrama no Brasil e rediscutir a associação do cineasta com o cinema de gênero.

Resumo expandido

    Este trabalho — resultado tangencial da pesquisa de mestrado realizada entre 2024 e 2025 a respeito da leitura do cinema ficcional de Karim Aïnouz como pertencente ao gênero melodrama — tem como objetivo apresentar um levantamento das críticas encontradas dentro do recorte temporal de 2002 a 2024, cobrindo todos os sete longas-metragens ficcionais do diretor. Desse recorte, dividido entre 2002-2010 — com críticas publicadas em jornais e acessadas pela Hemeroteca Digital a respeito dos filmes Madame Satã (2002), O céu de Suely (2006), Viajo porque preciso, volto porque te amo (2010) — e 2013-2024 — com críticas publicadas em sites, jornais e revistas digitais a respeito de O Abismo Prateado (2013), Praia do Futuro (2014), A Vida Invisível (2019) e Motel Destino (2024) — pretende-se apresentar a análise do contexto e as implicações de cada presença ou ausência do termo “melodrama” nas críticas sobre cada filme, navegando também pelas declarações do diretor sobre o gênero e seus filmes. Assim, a comunicação se propõe a observar as mudanças quanto ao uso do termo “melodrama” ao longo dos anos para se referir ao cinema de Aïnouz
    O cinema de Karim Aïnouz foi por muito tempo, não sem razão, comumente associado ao movimento do new queer cinema,; a historiografia e as críticas cultural e acadêmica brasileiras tenderam, nos trabalhos sobre o diretor, a privilegiar análises que reivindicavam o local do cineasta na seara dos filmes queer/LGBT e associando-o ao “cinema de afetos”. No entanto, o diretor cada vez mais passa a declarar o seu interesse, afeição e correspondência artística pelo gênero do melodrama em entrevistas e no processo de divulgação dos seus filmes — um interesse que, em retrospecto possibilitado pelo levantamento também de entrevistas e declarações do diretor, esteve ali bem antes da defesa mais marcada por Praia do Futuro (2014) (a que chamou de “melodrama de macho”) e A Vida Invisível (2019) (vendido como um “melodrama tropical”).
    Sua defesa parece acompanhar uma tendência nos estudos acadêmicos brasileiros a respeito da revalorização do gênero melodramático, visto em trabalhos como os de Ismail Xavier (2003), Maurício de Bragança (2007), Luís Alberto Rocha Melo (2006) e Mariana Baltar (2019), contribuindo com suas pesquisas plurais no campo do melodrama e alçando o gênero a outro patamar de discussão — não mais o lugar de gênero menor, apolítico e alienante, mas, na verdade, crítico e urgente de discutir, entender e disputar.
    Por meio da comparação entre as críticas da primeira leva (2002-2010) sobre os filmes de Karim com as leituras mais contemporâneas a respeito do trabalho autoral do cineasta e sua aproximação com o cinema de gênero, pretende-se, ainda, discorrer sobre as revisões historiográficas a respeito do gênero melodramático no cinema brasileiro e a importância do cinema de Karim como nome exemplar de uma mudança de paradigma do cinema melodramático na crítica acadêmica e cultural e, mais importante, no fazer cinematográfico brasileiro.
    Com isso, a comunicação pretende entrelaçar crítica, produção e pesquisa acadêmica no processo de revisão historiográfica a respeito do gênero, usando como exemplo o cineasta Karim Aïnouz, e demonstrando como a pesquisa acadêmica teve um papel fundamental em influenciar seu cinema e como a reescrita melodramática do cinema brasileiro pode fomentar novas discussões sobre nossa filmografia.

Bibliografia

    BALTAR, M. Realidade lacrimosa: o melodramático no documentário brasileiro. Niterói: Eduff, 2019.
    BALTAR, M., SOUZA, V.P.S. Melodramas à brasileira — traçando uma história do termo no campo do cinema. In: V Jornada de Estudos em História do Cinema Brasileiro, Caderno de Resumos Expandidos. Universidade Federal Fluminense, Niterói. 2023. 1: 36-38.
    BRAGANÇA, M. Melodrama: notas sobre a tradição/tradução de uma linguagem revisitada. In. Comunicação e Melodrama. EcoPós, v. 10, n. 2, jul-dez 2007.
    BROOKS, P. The Melodramatic Imagination: Balzac, Henry James, Melodrama, and the Mode of Excess. New Haven/ London, Yale University Press, 1995.
    FREIRE, R. L. Entre o Gênero e a Nação: o Gênero Cinematográfico e o Cinema Nacional. In: Seminário Minter, UFF, Niterói, 2010.
    NEALE, S. Melo talk: On the meaning and use of the term “melodrama” in the American Trade Press. Velvet light trap, University of Texas Press, n. 32, outono.