Ficha do Proponente
Proponente
- Mateus de Moura Zaidan (UNESPAR)
Minicurrículo
- Mateus Zaidan é mestrando do Programa de Pós-Graduação – Mestrado Acadêmico em Cinema e Artes do Vídeo (PPG-CINEAV) – da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), vinculado à linha de pesquisa (2) Processos de Criação no Cinema e nas Artes do Vídeo. Bacharel em Cinema e Audiovisual pela Universidade Estadual do Paraná e Licenciado em Filosofia pelo Centro Universitário Claretiano. Membro do grupo de pesquisa CineCriare – Cinema: criação e reflexão (Unespar /PPG-CINEAV/CNPq).
Ficha do Trabalho
Título
- Apropriação de Referências e Autoria Queer no Cinema Universitário Gay Paranaense
Eixo Temático
- ET 5 – ETAPAS DE CRIAÇÃO E PROCESSOS FORMATIVOS EM CINEMA E AUDIOVISUAL
Resumo
- Derivado de uma pesquisa de mestrado em andamento, este estudo investiga o processo de criação de cineastas em formação na Universidade Estadual do Paraná, cujos filmes de ficção apresentam protagonismo gay. Amparada pela Teoria de Cineastas, a pesquisa discute os modos como os realizadores estudados se apropriam de referências cinematográficas no desenvolvimento de seus processos criativos, interrogando as possibilidades de inscrição de autorias queer no cinema universitário paranaense.
Resumo expandido
- Talvez se possa afirmar que todo cineasta busca referências, trabalhando-as de modos diretos, indiretos ou a partir da subversão. Falando-se de estudantes de cinema, em especial, e entendendo que o período acadêmico tem relações com busca de identidade artística e experimentação, é natural que as obras desses artistas em formação estejam imbuídas de características derivadas de outros cineastas, períodos, movimentos e ondas cinematográficas que os inspiram artisticamente. Diante disso, interessa ao presente trabalho, derivado de uma pesquisa de mestrado em andamento, perguntar: como cineastas estudantes da graduação em Cinema e Audiovisual da Universidade Estadual do Paraná se apropriam de diferentes referenciais cinematográficos a fim de constituir autorias queer em filmes de ficção de protagonismo gay?
Compreendendo que “[…] todo cineasta desenvolve ideias e conceitos sobre o seu fazer artístico e sobre as suas obras, em um percurso que pode ser investigado em busca da compreensão teórica sobre tais ideias e conceitos” (Graça et al., 2015, p. 23), parto da abordagem teórico-metodológica da Teoria de Cineastas para entrevistar dois realizadores sobre seus feitos artísticos no âmbito universitário.
Investigo, assim, o processo de criação da obra “Seu avô também fazia sexo gay!” (2024) roteirizada e dirigida por Giordanno Bottezini e “O Marinheiro” (2025) roteirizada e dirigida por Guillen Medeiros, ambas produzidas como exercícios universitários para disciplinas de Direção Audiovisual.
Em “Seu avô também fazia sexo gay!”, a apropriação de referências é feita a partir de uma reprodução mais ou menos fidedigna do cinema pornô alternativo gay dos anos 1970, incorporando, inclusive, nos créditos iniciais, algumas cenas de filmes como “Take One” (1977) e “Moving” (1974) de Wakefield Poole. Segundo Bottezini, em entrevista concedida em abril deste ano, suas principais inspirações vieram do cinema queer: “acho que os 3 primeiros filmes que eu assisti como busca de referência foram os que mais impactaram o roteiro e a concepção visual do filme. Foram ‘Nitrate Kisses’ (1992), da Barbara Hammer, ‘Bible!’ (1974) e ‘Bijou’ (1972), do Poole” (2026).
Já em “O Marinheiro” (2025), observamos uma apropriação cujos objetivos subvertem a lógica cinematográfica. Na história acompanhamos dois personagens em um final de semana vivido em uma praia deserta. A principal cena do filme é o momento em que os dois personagens se beijam na areia da praia, inspirada em “A um passo da eternidade” (Fred Zinnemann, 1953), reproduzindo a cena memorável do beijo protagonizado por Deborah Keer e Burt Lancaster, porém, aqui, subvertendo a lógica heteronormativa mediante a substituição por dois personagens masculinos. Segundo Medeiros, em entrevista concedida em abril de 2026: “o melodrama e o sentimentalismo exagerado são inspirados no cinema clássico hollywoodiano, nos moldes star system dos anos 1940 e 50”.
A fim de discutir essas diferentes estratégias de apropriação de referências cinematográficas para a construção de filmes universitários gays, nesta pesquisa, convoco as proposições de Guacira Lopes Louro (2008), Denilson Lopes (2016) e Dieison Marconi, propondo uma investigação que “busca entender como esses sujeitos de gênero, corpo e sexualidade dissidentes se constituem como autores ou autoras queer no cinema brasileiro contemporâneo” (2020, p.6). Considerando, como defende Marconi, autoria queer enquanto “uma performance incorporada que reconfigura a experiência e o vivido e que comunica histórias pessoais e culturais” (2020, p.6), dedico-me a refletir sobre a constituição de autorias queer no processo de formação universitária em cinema no Brasil e, mais especialmente, no Paraná.
Bibliografia
- GRAÇA, André Rui; BAGGIO, Eduardo; PENAFRIA, Manuela. Teoria dos Cineastas: uma abordagem para a teoria do cinema; Revista Científica/FAP, v.12, Curitiba, Pr, 2015.
LACERDA, Luiz Francisco Buarque de. Cinema gay brasileiro: Políticas de representação. Tese de Doutorado do PPGCOM; Universidade Federal de Pernambuco. Jun., 2015.
LOPES, Denilson. Afetos, estudos queer e artifício na América Latina. E-Compós, v. 19, n. 2, Brasília-DF, 2016.
LOURO, Guacira Lopes. Cinema e Sexualidade; ER – Educação e Realidade; 33(1):81-98 jan/jun, 2008.
MARCONI, Dieison; Ensaios sobre autorias queer no cinema brasileiro contemporâneo. PPGCOM/UFRGS, Porto Alegre- RS, 2020.