Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Alexandre Nakahara (Independente)

Minicurrículo

    Alexandre Nakahara é doutor e mestre em Meios e Processos Audiovisuais pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP). Sua pesquisa de doutorado explora a interseção entre cinema e orientação espacial, examinando como o filme se relaciona com a cartografia, a navegação e a imersão. Em 2024, realizou um estágio de pesquisa (doutorado-sanduíche) na Universidade da Califórnia em Berkeley por meio do programa CAPES-Print.

Ficha do Trabalho

Título

    Imersão e desorientação espacial em The Deserted

Seminário

    Cinema e Espaço

Resumo

    Este trabalho explora a imersão e a desorientação espacial a partir da análise do filme The Deserted (2017), de Tsai Ming-liang, produzido para VR (realidade virtual). Nesse filme, o espectador compartilha o espaço diegético com os personagens através de uma estranha presença desencarnada. Sugerimos que essa estética imersiva evoca uma sensação de desorientação que permite a aproximação e discussão desses dois conceitos.

Resumo expandido

    Esta apresentação explora questões relacionadas à imersão e à desorientação espacial a partir da análise do filme The Deserted (Jiā zài lánruò sì, 2017), do diretor Tsai Ming-liang. A obra, exibida no CINUSP em 2019, apresenta fragmentos da vida do personagem Hsiao Kang em uma casa em ruínas cercada pela natureza. Na realidade virtual do visionamento viabilizado pelo dispositivo HMD (Head Mounted Display), o espectador compartilha o espaço diegético com os personagens através de uma estranha presença desencarnada. Sugerimos que essa estética imersiva evoca uma sensação de desorientação que remete tanto à emergência do cinema quanto à característica fantasmagórica de seu dispositivo.
    O conceito de imersão é frequentemente relacionado ao transporte do espectador para outro local, comumente “para dentro da imagem”, como afirma Mary Ann Doane (2021). Já o historiador da arte Oliver Grau (2003) destaca a imersão como uma forma de lidar com o virtual na tentativa de incluir o observador em um espaço isolado de ilusão imagética. A desorientação espacial, por sua vez, possui uma ligação com o medo e com efeitos corporais específicos provocados pela situação de perigo e pela impossibilidade de reconhecer arredores ou de ser encontrado. Propõe-se que a articulação entre essas perspectivas seja produtiva para compreender os efeitos gerados pelo cinema em VR.
    Para explicitar tais reflexos, realizaremos uma exploração da desorientação, de seus efeitos físicos e de sua relação com a cinetose, contrastando-os com a presença desencarnada e outros efeitos estéticos imersivos da realidade virtual. Por fim, o filme de Tsai Ming-liang oferece exemplos privilegiados para essa reflexão pois articula esses elementos a partir de um realismo fantasmagórico (Mello, 2015) que tangencia o encontro com o desconhecido e com o sublime.

Bibliografia

    DOANE, Mary Ann. Bigger than Life: The Close-up and Scale in the Cinema. Durham, Londres: Duke University Press, 2021.
    ELLIS, Patrick. Aeroscopics: Media of the Bird’s-eye View. Oakland: University of California Press, 2021.
    GRAU, Oliver. Virtual Art: From Illusion to Immersion. Tradução: Gloria Custance. Cambridge, Londres: The MIT Press, 2003.
    HUTH, John Edward. The Lost Art of Finding our Way. Londres: The Belknap Press of Harvard University Press, 2013.
    MELLO, Cecília. O cinema contemporâneo do leste asiático: da ontologia e seus fantasmas. In: Realismo Fantasmagórico. São Paulo: Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária – USP, 2015. p. 15-36. (Coleção CINUSP – Volume 7). Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/816/726/2677. Acesso em: 23 set. 2025.