Ficha do Proponente
Proponente
- Daniel P. V. Caetano (UFF)
Minicurrículo
- Daniel Caetano é diretor e produtor de filmes como “Ladeiras da memória – paisagens do Clube da esquina” e “Verão em Rildas”. Já colaborou com revistas como Contracampo, Cinética e Filme Cultura. É professor do Depto. de Artes e Estudos Culturais da UFF.
Ficha do Trabalho
Título
- Cinema de Estrelas – as estrelas da música no cinema brasileiro conforme os modelos de cada época
Resumo
- A cinematografia brasileira retratou com frequência os artistas da música, com alguns modelos narrativos predominando em diferentes períodos. Esta comunicação pretende apontar as características dos filmes em cada período, propondo-se a elencar cronologicamente os principais modelos, incluindo chanchadas, filmes críticos à indústria musical, ficções protagonizadas pelas próprias estrelas e cinebiografias de perfil quase hagiográfico.
Resumo expandido
- Ao longo de sua história a cinematografia brasileira apresentou com frequência um grande número de retratos de artistas da música, com alguns modelos narrativos predominando em diferentes períodos. A partir das características comuns aos filmes em cada período, esta comunicação propõe demarcar cronologicamente os principais modelos que vigoravam em cada período – pois, se alguns destes modelos já foram longamente estudados (filmes cantantes, chanchadas, cinebiografias), há outros, também marcantes, que receberam atenção consideravelmente menor da historiografia crítica. Levando em conta a notória diferença de penetração das produções de música e de cinema realizadas no país junto à população no Brasil e no exterior, este esboço de panorama cronológico irá permitirá observar diferentes perspectivas apresentadas nos filmes produzidos ao longo de décadas sobre a relação destes artistas da música com a indústria fonográfica em cada momento.
Desta maneira, pretende-se observar no panorama histórico: 1 – a bem conhecida absorção de ídolos nas primeiras décadas do século XX, no modelo inaugurado pelos filmes da Cinédia e seguido por outros, modelo este já longamente estudado por diversos autores; 2 – a crítica à indústria e seus mecanismos de descarte e exclusão, elemento fundante de algumas obras das décadas de 1950 e 1960 (que se fez presente também nas produções de outros países que buscaram retratar personagens similares); 3 – o considerável número de filmes baseados no modelo romanesco em que os próprios ídolos interpretavam versões mais ou menos ficcionalizadas de si, produzidos ao longo das décadas de 1960, 1970 e início dos 1980; surgido internacionalmente a partir das produções protagonizadas pela banda The Beatles, este foi foi um formato que no Brasil mobilizou diversos artistas, de Roberto Carlos a Agnaldo Rayol, passando por Gilberto Gil e pela dupla Milionário e Zé Rico; 4 – Finalmente, as cinebiografias e documentários biográficos que, quase sempre aproximando-se de perspectivas hagiográficas, tornaram-se constantes nas últimas três décadas. Serão usados como referências nesta comunicação filmes como “Alô Alô Carnaval” e “Berlim na Batucada” no primeiro modelo mencionado, “Tudo azul”(1952) e “Rio Zona Norte” (1958) no segundo modelo, “Roberto Carlos em ritmo de aventura” (1968) e “Milionário e Zé Rico Na Estrada da Vida” (1981) no terceiro modelo e, finalmente, “Carmem Miranda, banana is my business” (1995), “Cazuza -o tempo não para”, “Simonal – Ninguém sabe o duro que dei” (2009), “Homem com H” (2025) e “Milton Bituca Nascimento” (2025) no modelo mais recente.
Bibliografia
- CARVALHO, M. A Canção no Cinema Brasileiro. São Paulo: Alameda, 2015
CATANI, A.M., & SOUZA, J.I.M. A chanchada no cinema brasileiro. São Paulo: Brasiliense, 1983.
COSTA, F. M. da. O som no cinema brasileiro. Rio de Janeiro: 7 letras, 2008.
VIEIRA, J.L. “A chanchada e o cinema carioca (1930-1950)”. In: Nova História do Cinema Brasileiro (SCHVARZMAN, S. & RAMOS, F., org.). São Paulo: SESC, 2018.