Ficha do Proponente
Proponente
- Daniele Santos Santana (SEEDF)
Minicurrículo
- Mulher, negra, nordestina, professora, estudante. Na área profissional, desenvolvo projetos culturais que dialogam com a educação, o teatro e com a linguagem audiovisual, tendo como público alvo estudantes da educação básica. No campo acadêmico, doutora em Artes Cênicas; mestra em Artes; licenciada em Teatro e Pedagogia; especialista em Gestão e Orientação Educacional, Artes Visuais e Gênero e Diversidade na Escola; tecnóloga em Produção Cultural e futura técnica em Produção Audiovisual.
Ficha do Trabalho
Título
- Cineclube Goyazes: amefricanidade em sala de aula
Resumo
- O Cineclube Goyazes é um projeto educacional que visa a exibição, seguida de debate, de curtas e longas-metragens que apresentam como temática central as culturas afro e indígena ladino amefricanas para estudantes educação do ensino médio de uma escola pública do Distrito Federal.
Resumo expandido
- O projeto Cineclube Goyazes nasceu no âmbito escolar, a partir de práticas pedagógicas com estudantes do primeiro ano do ensino médio, em uma escola localizada na periferia do Distrito Federal. Pensado como uma ferramenta para o fortalecimento da educação antirracista e decolonial, exibe e discute obras que contém as culturas afro e indígena como tema principal, indo ao encontro das leis 10.639/03 e 11.645/08, as quais tornaram obrigatório o ensino dos legados dessas culturas nos níveis fundamental e médio da educação básica.
Somado ao conceito de amefricanidade, cunhado pela intelectual Lélia González (1988), a partir de um recorte global renomeado por ela de Améfrica Ladina, que repensa, a partir de um viés de destaque para as matrizes africanas e indígenas, a ideia de América Latina desenhada pelos colonizadores, o projeto Goyazes tem em sua programação obras que dialogam com as cosmovisões de povos ancestrais amefricanos. Inclusive, o nome do projeto alude ao nome de uma das comunidades indígenas que habitavam o território do estado de Goiás, nas vizinhanças da Serra Dourada, no século XVIII, e que mais tarde foi extinta como resultado do processo violento, escravista e aculturador da colonização. Válido ressaltar que a atual capital do Brasil também foi construída em território goiano e segue devastando comunidades indígenas, como os Tapuias-Fulniô, que ainda lutam para manter o Santuário dos Pajés nas quadras do Setor Noroeste – DF.
Outra forte referência do projeto é a coletânea Negritude, Cinema e Educação, organizada por Edileuza Penha de Souza (2011), criada com o intuito de elencar obras audiovisuais para que docentes de todos os níveis e modalidade de ensino discutam a questão étnico-racial. Seguindo a propostas dos artigos nela inseridos, a ideia é não apenas exibir as obras que possuam como eixo as temáticas do Goyazes, mas também, como preza a proposta primordial dos cineclubes, fomentar a discussão sobre as obras exibidas e sobre a cultura cinematográfica, levantando sobre questões como diversidade cultural, linguagem e crítica do cinema, acesso à informação e à cultura, dentre outros assuntos correlatos.
Justo mencioanar que a instituição de ensino em que atuo como professora de Artes é um diferencial para sua relização, haja vista suas investidas para materializar uma educação emancipadora e antirracista, consumada atráves de vasta lista de projetos pedagógicos que prezam pela formação crítica e significativa dos e das estudantes.
A escolha das produções audiovisuais são realizadas bimestralmente, com participação do corpo docente e discente da instituição e, além das temáticas propostas pelo projeto, é alinhada aos conteúdos programáticos do bloco ofertado. Ressalta-se que atualmente as escolas distritais seguem a modalidade da Semestralidade e que a disciplina Artes integra a denominada “Oferta A”, que também conta com os componente curriculares anuais (Língua Portuguesa, Matemática e Educação Física); e os semestrais (Espanhol, Física, Química e Biologia). Dessa forma, a eleição das dialoga ainda com as obras da primeira etapa do Programa de Avaliação Seriada (PAS 1), da Universidade Federal de Brasília (UnB), inseridas no Subprograma 2025-2027.
Na confluência desses requisitos, no primeiro bimestre de 2026, por exemplo, foram escolhidas as seguintes obras do PAS 1: o vídeo clipe “Xondaro Ka’anguy”, de Owerá; os curtas “Nego Bispo”, da Série Trajetórias – Itáu; e “Abuela Grillo”, de Denis Chapon, Israel Hernández, Alfredo Ovando. E ainda o longa “A negação do Brasil”, de Joel Zito de Oliveira.
Em suma, o Cineclube Goyazes visa desenvolve ações de cunho artístico, pedagógico e cultural com enfoque na valorização de produções cinematográficas que destaquem as culturas afro e indígenas da Améfrica Ladina, bem como trabalha com a sensibilização e formação de público para o cinema nas escolas públicas do Distrito Federal, debatendo os motes propostos, as linguagens e estilos cinematográficos.
Bibliografia
- AUMONT, Jacques; MARIE, Michel. Dicionário Teórico e Crítico de Cinema. Campinas: Papirus Editora, 2012.
DESGRANGES, Flávio. A pedagogia do espectador. São Paulo: Hucitec, 2003.
FIGUEIREDO, Hermano; BARBOSA, Regina C.; SEABRA, Carlos. Cineclubismo: organização e funcionamento. São Paulo: Editoras Oficina Digital e Vento Nordeste, 2023.
GONZALEZ, Lélia. A categoria político-cultural da Amefricanidade. In: GONZALEZ, Lélia. Primavera para as rosas negras: Lélia González em primeira pessoa… Diáspora Africana: Editora Filhos da África, 2018.
NICHOLS, Bill. Introdução ao Documentário. Campinas: Papirus Editora, 2012.
PUCCINI, Sérgio. Roteiro de Documentário: da pré-produção à pós-produção. Campinas: Papirus Editora, 2012.
SOUZA, Edileuza Penha de. Negritude, Cinema e Educação: caminhos para a implementação da Lei 10.639/03. Belo Horizonte: Maza Edições, 2007.