Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Lein Machado (UNESPAR)

Minicurrículo

    Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Cinema e Artes do Vídeo (PPG-CINEAV), vinculado à linha de pesquisa 2 – Processos de Criação no Cinema e nas Artes do Vídeo, e ao Grupo de Pesquisa Cinecriare – Cinema: criação e reflexão, sob orientação do Prof. Dr. Eduardo Tulio Baggio.

Ficha do Trabalho

Título

    Processo de criação do curta Melancolya Canybal (2025) a partir da relação montador-diretor

Seminário

    Teoria de Cineastas: dos processos de criação à dimensão política do cinema

Resumo

    O objetivo da comunicação é investigar o processo de criação do curta-metragem Melancolya Canybal (2025) a partir da observação dos gestos (Flusser, 2014) originados na relação montador-diretor. Para tal, o gesto fílmico será tomado enquanto coletivo (Scansani, 2020) e ambos realizadores serão tomados enquanto cineastas (Graça; Baggio; Penafria, 2015). Integrei a equipe de realização do filme enquanto montador e parto dessa vivência em diálogo com o diretor para investigar o processo de criação.

Resumo expandido

    A presente comunicação tem como objetivo investigar o processo de criação do curta-metragem universitário Melancolya Canybal (2025). O filme foi realizado para a disciplina de Direção Cinematográfica IV na graduação de Cinema e Audiovisual da Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR). Ele foi dirigido por Henrique Domingues e montado por mim, Lein Machado. A estrutura narrativa dele acompanha duas histórias: a aventura sexual de dois rapazes que se conhecem em um ônibus e o vaguear pela cidade de um jovem renascido enquanto anjo.
    O processo de criação desse curta será investigado a partir da relação de caráter de equipe criativa entre montador-diretor. Para isso serão acionados instrumentos desenvolvidos por Vilém Flusser (2014) a respeito do conceito de gesto. Para ele, o gesto é “um movimento no qual se articula uma liberdade” (p. 15), ou seja, com gestos são articuladas expressões da liberdade. A teoria dos gestos elaborada por Flusser diz que “o gesto individual concreto é expressão de uma liberdade específica inexplicável por construções teóricas, como é ‘espírito’, etc., por ser inexplicável, tout-court, apenas interpretável” (p. 26). Desta forma, tal teoria fornece amparo teórico para a observação de fenômenos presentes na criação artística. No livro Gestos (2014), no qual o autor formula teoricamente a ideia de gestualidade, há o compilado de vários textos em que ele aplica a conceituação de gesto para pensar práticas artísticas, como por exemplo: O gesto em vídeo (p. 73-79) e O gesto de escrever (p. 99-109).
    Também serão levadas em consideração formulações sobre gestualidades da pesquisadora Andréa Carla Scansani (2020) com seu artigo O gesto fílmico como expressão coletiva da arte cinematográfica, no qual ela parte das formulações de Flusser para construir uma discussão acerca do caráter coletivo da expressão cinematográfica. Essas formulações serão valiosas para a reflexão relacional da realização fílmica do Melancolya Canybal, pois para a pesquisadora “as diversas relações entre os agentes presentes em uma filmagem, em que a conjugação de forças humanas e técnicas constitui o próprio ato cinematográfico” (p. 105), o que reforça a importância das relações na constituição das imagens cinematográficas. Para a autora, o “caráter coletivo da criação” (p. 105) é “elemento fundador da expressão cinematográfica” (p.105), assim contribuindo para a presente pesquisa pois impulsiona a reflexão sobre os papéis de diferentes agentes do processo criativo em uma realização fílmica. O método usado para investigação nesta pesquisa seguirá alguns passos desenhados por Scansani em seu artigo, nesse sentido serão observados documentos do processo de criação do Melancolya Canybal, como por exemplo: registros de conversa entre o montador e o diretor, cartas de montagem escritas pelo diretor endereçadas ao montador, diferentes cortes do filme e o memorial artístico-criativo escrito pelo diretor enquanto parte de seu trabalho de conclusão de curso.
    Por último, faço a defesa de começar o processo de investigação a partir da relação montador-diretor, dando destaque ao papel de montador pois fui eu que exerci essa função no curta-metragem, logo, escolho começar a investigação do processo partindo do meu ponto de vista enquanto cineasta. A pesquisa visa investigar os gestos que guiaram as escolhas na pós-produção do curta através do aspecto coletivo presentes nas trocas dialógicas entre o diretor e o montador do filme. Para defender o montador enquanto cineasta uso de amparo bibliográfico o artigo Teoria dos cineastas: uma abordagem para a teoria do cinema (Graça; Baggio; Penafria, 2016), em que há a afirmação: “quem é que são os cineastas que interessam para as investigações da Teoria dos Cineastas: são todas as pessoas envolvidas na produção de um filme que tenham atividades criativas” (p. 6).

Bibliografia

    FLUSSER, Vilém. Gestos. São Paulo: Annablume, 2014.
    GRAÇA, A. R.; BAGGIO; E. T.; PENAFRIA; M. Teoria dos cineastas: uma abordagem para a teoria do cinema. Revista Científica/FAP, Curitiba, v. 12, p. 19-32, jan./jun. 2015. Disponível em: https://periodicos.unespar.edu.br/revistacientifica/article/view/1408/762.
    Melancolya Canybal. Direção: Henrique Domingues. Brasil: Peixes Elétricos Produções, 2025. (24 min), son., color.
    SCANSANI, Andréa Carla. O gesto fílmico como expressão coletiva da arte cinematográfica. Intexto, Porto Alegre, n. 48, p. 105-120, jan./abr., 2020. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/intexto/article/view/90072/54299.