Ficha do Proponente
Proponente
- JULIANA DE LIMA BARROS (UFPE)
Minicurrículo
- Juliana Lima é doutoranda e mestra em Educação pela UFPE, além de especialista em Política de Promoção da Igualdade Racial pela Fundação Joaquim Nabuco. Em 2016, protagonizou o movimento por políticas afirmativas no Edital Funcultura Audiovisual. Cineasta e educadora, escreve e dirige obras para cinema e tv. Seu filme mais recente, Lá no Alto (2025), aborda a produção cultural na periferia. É idealizadora da Oficina Descolonizando o Documentário: construção de narrativas nos Cinemas Negros.
Ficha do Trabalho
Título
- “Quem pode narrar? Políticas afirmativas e reconfiguração do campo audiovisual em Pernambuco”
Seminário
- Políticas, economias e culturas do cinema e do audiovisual no Brasil
Resumo
- A pesquisa analisa dez anos das políticas afirmativas no Funcultura Audiovisual de Pernambuco, destacando seus efeitos na ampliação do acesso de realizadores negros às funções de direção e roteiro. Reconstrói o percurso histórico e institucional dessa conquista, com foco na atuação da ABD/PE, evidenciando processos coletivos de incidência política. Também discute impactos na produção, circulação e educação, em diálogo com a Lei 10.639/2003.
Resumo expandido
- A pesquisa investiga o audiovisual pernambucano como campo de produção de identidades, disputas simbólicas e construção de memória social, em diálogo com as dinâmicas políticas, econômicas e culturais do cinema brasileiro. Em 2026, completam-se dez anos da implementação das políticas públicas afirmativas no edital do Funcultura Audiovisual de Pernambuco, marco na formulação de políticas culturais voltadas à equidade racial.
Este trabalho pretende analisar os resultados e transformações decorrentes dessa política, criada para ampliar a presença de roteiristas e diretores negros nas funções de poder narrativo, compreendidas como centrais na definição das representações e dos sentidos simbólicos que estruturam o audiovisual enquanto espaço social.
Ao situar o Funcultura no contexto das políticas públicas culturais, a pesquisa evidencia como mecanismos de fomento impactam não apenas a produção, mas a própria organização da cadeia do audiovisual, influenciando quem produz, quais narrativas circulam e como se configuram os fluxos simbólicos e econômicos do setor. Nesse sentido, o cinema é entendido como dispositivo de memória e como instância de produção de valor cultural, articulando dimensões estéticas, políticas e econômicas.
A investigação reconstrói o percurso histórico e institucional que possibilitou a implementação das ações afirmativas, com destaque para a atuação da Associação Brasileira de Documentaristas – Pernambuco (ABD/PE) no âmbito do Conselho Consultivo do Audiovisual. São analisados a formação de grupo de trabalho sobre raça, a elaboração de instrumentos de levantamento de dados, a sistematização e apresentação dos resultados, bem como ações políticas estratégicas, entrevistas com representantes de entidades parceiras evidenciam o caráter coletivo dessa articulação e seu papel na incidência sobre as políticas públicas.
Do ponto de vista metodológico, a pesquisa adota abordagem qualitativa e documental, articulada à realização de entrevistas semiestruturadas, análise de atas das reuniões do Conselho Consultivo e da ABD, mobilizando memória institucional e análise crítica. Trata-se de uma pesquisa situada, que reconhece o envolvimento da pesquisadora como dimensão epistemológica, em diálogo com perspectivas decoloniais.
O referencial teórico mobiliza Stuart Hall, ao compreender a representação como campo de disputa; bell hooks, ao discutir imagem, raça e poder; e Lélia Gonzalez , ao pensar as relações raciais no contexto brasileiro. Dialoga ainda com Achille Mbembe e Frantz Fanon, no que se refere às dimensões simbólicas do racismo, além das contribuições de Edileuza Penha e Janaína Oliveira sobre cinema negro e autoria.
As transformações no audiovisual pernambucano, ao ampliar a presença de realizadores negros, produzem novas narrativas que podem ser incorporadas aos processos educativos, contribuindo para práticas pedagógicas antirracistas. A pesquisa visa entender os desafios na articulação entre cultura e educação, sobretudo no que se refere à circulação dessas obras nas escolas e à formação docente para o uso crítico do audiovisual.
Por fim, o trabalho propõe pensar o cinema como espaço de disputa política, econômica e pedagógica, no qual políticas públicas culturais e educacionais se entrelaçam na construção de novos imaginários sociais. Ao recuperar a memória dessa articulação e analisar seus desdobramentos, contribuindo para o debate sobre o aprimoramento das políticas públicas e para a consolidação de um audiovisual mais diverso, democrático e socialmente comprometido.
Bibliografia
- Juliana Lima é Doutoranda e Mestra em Educação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). É especialista em Promoção da Igualdade Racial na Escola, pela Fundação Joaquim Nabuco.
É integrante da Associação dos Profissionais no Audiovisual Negro (APAN) e do Coletivo Negritude Audiovisual Pernambuco. Foi vice-presidente da ABD-PE atuando diretamente no Conselho Consultivo do Audiovisual de Pernambuco.
É diretora e roteirista dos curtas Psiu! (2014), Show de Rock(2015), e “Mayra Está Bem” (2017), curta-metragem premiado no 10º Festival Internacional Zózimo Bulbul de Cinema Negro e exibido em mostras nacionais e internacionais. Dirigiu, roteirizou e fotografou o documentário Elos (2019), e Eu Faço a Minha Sambada (2021), com Dona Glorinha do Coco. Seu projeto “Lá no Alto” (2023). É idealizadora da “Oficina Descolonizando o Documentário: construção de narrativas nos Cinemas Negros”, atividade que ministra desde 2024.