Ficha do Proponente
Proponente
- Antônio Burity Serpa (UFRN)
Minicurrículo
- Doutorando no programa de pós-graduação em Estudos da Mídia da UFRN. Mestre em Cinema e Audiovisual no programa de pós-graduação em Cinema e Audiovisual da UFF. Graduado em Cinema e Audiovisual pela UNIAESO. Atualmente é professor substituto de áudio no Instituto Federal do Rio Grande do Norte (Campus Natal – Centro histórico). Pesquisador interessado nas áreas de som no cinema, produção de áudio e acessibilidade no audiovisual.
Coautor
- Lívia Cirne de Azevedo Pereira (UFRN)
Ficha do Trabalho
Título
- Audiodescrição imersiva por meio do som: possibilidades técnicas e discussões teóricas
Seminário
- Histórias e tecnologias do som no audiovisual
Resumo
- A audiodescrição (AD) é um recurso de acessibilidade que viabiliza a fruição de produções audiovisuais por pessoas com deficiência visual por meio de descrições verbais detalhadas dos elementos visuais. A inserção do áudio da AD sobre a trilha sonora de filmes influencia diretamente a clareza e a acessibilidade dessa ferramenta. Está pesquisa em andamento propõe-se a investigar a correlação entre AD e os processos de imersão sonora, por meio de uma metodologia de revisão bibliográfica analítica.
Resumo expandido
- A audiodescrição (AD) no audiovisual é um recurso de acessibilidade que se constitui como uma modalidade de tradução intersemiótica e mediação estética para a fruição de diversos públicos, abrangendo pessoas com deficiência visual, intelectual e idosos. A AD traduz a visualidade fílmica em descrições verbais (paisagens, ações, figurinos, cenas, etc.) inseridas estrategicamente nos hiatos narrativos, permitindo que o espectador-ouvinte possa melhor compreender e acompanhar a narrativa de uma obra. No contexto das salas de exibição, essa prática demanda sincronia entre as faixas de áudio descritiva e a do áudio original do filme (diálogos, música e efeitos sonoros), tanto na fase de pós-produção quanto na exibição, garantindo a fluidez da experiência fílmica, seja ela por meio de recepção coletiva ou individualizada via radiofrequência ou aplicativos baixados nos smartphones.
Tecnicamente, a audiodescrição pode ser ao vivo ou pré-gravada e, posteriormente, sincronizada com a mídia, como acontece nas salas de cinema. A cadeia produtiva da AD pré-gravada desdobra-se em três etapas fundamentais: a elaboração do roteiro, a locução e a pós-produção, envolvendo diferentes profissionais.
A produção da audiodescrição pré-gravada, além de requisitar uma equipe técnica do audiovisual, também envolve uma pessoa consultora com deficiência para validar o processo, e é estruturada em três etapas principais. São elas: 1) O roteiro de AD, operando na seleção de índices visuais para a conversão verbal. Consiste na elaboração do texto audiodescritivo que traduzirá a visualidade em palavras e requer profissionais especializados na redação de roteiros acessíveis; 2) A locução, que é a gravação de uma voz que lê em voz alta o roteiro pré-estabelecido. Refere-se à textura sonora, com tom, ritmo e entonação harmonizando-se com a atmosfera da obra para não romper a imersão (Motta; Romeu Filho, 2010). E, por fim, a 3) A pós-produção da AD, que consiste na inserção do áudio da locução na trilha sonora original do filme por meio de edição e mixagem. Esta última fase é determinante para a fluidez da obra, priorizando-se o sincronismo narrativo.
Embora Tavares (2019) proponha uma produção colaborativa, na qual a acessibilidade seja pensada desde o desenho de som original, visando uma harmonia orgânica entre as vozes descritivas e o universo sonoro da obra, tradicionalmente a AD pré-gravada é transmitida como uma camada sobreposta em terceira pessoa, cuja narração pode sobrepor ou eliminar elementos importantes da trilha sonora original, como músicas e efeitos.
No entanto, Hofstädter, Kearney e Lopez (2021) defendem um método avançado de audiodescrição, que integra a acessibilidade ao processo criativo e técnico do filme, consistindo na combinação de três métodos principais: efeitos de som, áudio binaural e I-voice. Neste caso, são adicionados sons para fornecer informações sobre ações, indicar tempo e lugar, ou sinalizar a presença de personagens, reduzindo a necessidade de descrições faladas. Assim, minimiza-se as descrições verbais, e utilizam-se efeitos sonoros e áudio espacial (binaural) para que o espectador tenha uma percepção sonora da ação e a posição dos objetos. Em alternativa à narração tradicional, o I-voice trata-se da narração em primeira pessoa, geralmente gravada pelos protagonistas, refletindo em uma camada mais artística e com apelo emocional, focando nos sentimentos e na perspectiva dos personagens. (Hofstädter; Kearney; Lopez, 2021).
Sendo assim, esta pesquisa investiga o emprego das ferramentas de pós-produção de áudio na promoção de imersão sonora em audiodescrições (Carreiro; Opolski; Meirelles, 2023). Metodologicamente, o estudo ancora-se em uma revisão bibliográfica analítica do estado da arte da última década (2016-2026) sobre as relações entre audiodescrição, desenho do som, tecnologia e fundamentando-se nos pressupostos sociohistóricos da inclusão e nos estudos de acessibilidade audiovisual (Motta; Romeu Filho, 2010).
Bibliografia
- CARREIRO, Rodrigo; OPOLSKI, Débora; MEIRELLES, Rodrigo. A imersão sonora no cinema. São José dos Pinhais: Estronho, 2023.
MOTTA, Lívia; FILHO, Paulo Romeu. Audiodescrição: transformando imagens em palavras. São Paulo: Secretaria de Estado dos Direitos das Pessoas com Deficiência, 2010.
HOFSTÄDTER, Krisztián; KEARNEY, Gavin; LOPEZ, Mariana. Enhancing Audio Description: Inclusive Cinematic Experiences Through Sound Design. Journal of Audiovisual Translation. Norwich, v. 4, n. 1, p. 157-182, out. 2021.
TAVARES, Liliana Barros. Verouvindo: investigações sobre a relação entre a audiodescrição e as camadas sonoras que compõem a trilha de áudio de um filme. Tese (Doutorado em Comunicação) – Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2019.