Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Francieli Rebelatto (UNILA)

Minicurrículo

    Docente de Cinema e audiovisual na UNILA. Doutora em Cinema e Audiovisual pela UFF, tendo se dedicado a pesquisar e analisar as filmografias que tratam de questões de gênero, territórios de fronteira e paisagens em contexto latino-americano. É realizadora audiovisual tendo diregido e roteirizado vários filmes, entre eles, o longa-metragem ‘Pasajeras’ (2021). É coordenadora do projeto ‘Observatório latino-americano de Cinema Entre Fronteiras’ (OLACEF), na UNILA

Ficha do Trabalho

Título

    As imagens e imaginários de fronteiras no cinema de Ana Zanotti (Arg) e Gabriela Guilermo (Uru)

Seminário

    Cinema e audiovisual na América Latina: novas perspectivas epistêmicas, estéticas e geopolíticas

Resumo

    Nos debruçamos sobre as trajetórias e filmes produzidos pelas realizadoras Ana Zanotti (ARG) e Gabriela Guillermo (URU) sobre os territórios de fronteira entre o Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Com uma produção diversa, ambas realizadoras registraram diferentes aspectos culturais e sociais das fronteiras territoriais com destaque para narrativas que colocam no centro da imagem histórias de mulheres.

Resumo expandido

    Na última década temos nos dedicado a pesquisar imagens e imaginários do cinema e audiovisual que estão sendo produzidos nas regiões entre o Sul do Brasil, o Noroeste da Argentina, o Paraguai e o Uruguai. Desde a tese de doutorado defendida na UFF à criação do recente projeto de pesquisa ‘Observatório latino-americano de Cinema Entre-Fronteiras’ (OLACEF) na Unila, nos debruçamos sobre narrativas, políticas públicas implementadas na relação entre mecanismos institucionais, ou seja, os vínculos entre o Instituto de Artes Audiovisuais de Misiones (IIAVIM), o Instituto Nacional de Cinema Paraguaio (INAP), o Instituto de Cinema do RS (IECINE) e o ACAU do Uruguai, além de outras perspectivas estéticas e políticas que nos interessa abordar considerando a relação entre territórios de fronteiras, paisagens e representação de gênero.

    Nesta caminhada, acompanhamos espaços de articulação dessas políticas, distribuição e exibição deste cinema regional e internacional como é o caso dos festivais de cinema da região e, em especial, o Mercado Audiovisual Entre Fronteiras que já teve cinco edições. Este panorama nos permitiu adentrar nas particularidades de narrativas que estão sendo movimentadas pelos realizadores (as) nos filmes produzidos na região, a exemplo, dos curtas-metragens fomentados nos editais ‘Entre Fronteiras’ que tratam das mais diversas temáticas relacionadas à memórias ancestrais dos povos indígenas presentes na região – a considerar filmes como, ‘A transformação de Canuto’, ‘Tekoá’ e ‘Um rempo pra mim’; ainda, as memórias relacionadas a processos históricos de violência colonial, como é o caso dos filmes ‘Mita’i Churi’ e ‘Maragatos’; violências estruturais de gênero em filmes como no curta-metragem ‘El otro lado’.

    Neste momento, no entanto, temos nos voltado mais atentamente à produção de diferentes realizadores (as) que têm uma contribuição histórica à região, até mesmo anterior às atuais políticas e espaços transnacionais. Compreendendo que a sedimentação de políticas e novas produções são resultado também da atuação de realizadores (as) que historicamente estão produzindo em territórios de fronteiras, ao passo que contribuem para o desenvolvimento do cinema de forma geral.
    É o caso da realizadora audiovisual e antropóloga Ana Zanotti, argentina que há mais de quatro décadas em Misiones tem produzido diversos filmes, participado ativamente da organização política do setor audiovisual de Misiones e da articulação de políticas transnacionais, bem como, de espaços de formação comunitária. Já, desde o Uruguai, nos interessa analisar e conhecer mais de perto o trabalho de Gabriela Guillermo, biológa de formação, mas que há mais de três décadas também tem produzido diversos filmes no Uruguai, com destaque para sua imersão em territórios de fronteiras do Uruguai com o Brasil.

    Nos debruçamos sobre as trajetórias e filmes produzidos por essas duas realizadoras, em especial, a partir dos filmes que tratam da fronteira entre o Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Com uma produção diversa, ambas cineastas registraram diferentes aspectos culturais e sociais desses territórios com destaque para narrativas que colocam no centro da imagem histórias de mulheres.

    Analisamos, neste trabalho, os filmes Un paso con historia (1998), Mi mujer no trabaja (1988) de Ana Zanotti e Tejedoras (2021) Envejecer viviendo (2008) de Gabriela Guillermo. Enquanto Zanotti filmou durante a década de 80 e 90 as mulheres trabalhadoras nas cidades de Posadas (ARG) e Encarnacion (PY), Guillermo adentrou no universo de diversas personagens nas cidades fronteiriças do Uruguai com Brasil.

    Se bem se tratam de regiões geográficas distintas, com paisagens humanas e naturais também distintas, ambas cineastas – por meio da narrativa documental se aproximam desses territórios, suas paisagens, deslocando seu olhar sobre os diferentes modos de existência e resistência das mulheres.

Bibliografia

    REBELATTO, Francieli. Do Fórum Entre Fronteiras ao Mercado Entre Fronteiras: políticas públicas para a integração do cinema realizado entre o sul do Brasil, noroeste da Argentina e o Paraguai. Espirales – revista para a integração da América Latina e Caribe, v. 7, p. 69-89, 2023.
    Link de acesso: https://revistas.unila.edu.br/espirales/article/view/4412

    REBELATTO, Francieli. OPRESSÕES DE GÊNERO E TERRITÓRIOS DE FRONTEIRA NO CINEMA LATINO-AMERICANOCONTEMPORÂNEOREALIZADO ENTRE ARGENTINA, BRASIL, PARAGUAI E URUGUAI. GERMINAL: MARXISMO E EDUCAÇÃO EM DEBATE, v. v. 15, p. 240-264, 2023.
    Link de acesso: https://periodicos.ufba.br/index.php/revistagerminal/article/view/57003