Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Ana Júlia Olivier Rocha (Unespar)

Minicurrículo

    Mestranda do Programa de Pós-Graduação Mestrado Profissional em Artes da Universidade Estadual do Paraná (Unespar). Bacharelado em Cinema e Audiovisual pela Unespar (2024). Monitora Bolsista (2024) na ação extensionista Tapé Arandu vinculada às disciplinas optativas do curso de Bacharelado em Cinema e Audiovisual da Unespar coordenadas pela professora Dra Fernanda Martins Felix. O Projeto de Extensão segue com o nome Arandu Ma Oguata.

Ficha do Trabalho

Título

    Investigando o Projeto Arandu Ma Oguata: Ensino em Cinema e Audiovisual pode refletir o Mbya Reko?

Eixo Temático

    ET 5 – ETAPAS DE CRIAÇÃO E PROCESSOS FORMATIVOS EM CINEMA E AUDIOVISUAL

Resumo

    Nesta comunicação, analisaremos o Projeto Arandu Ma Oguata e a influência do Mbya Reko em seu aparato de ensino-aprendizagem. Por meio do aparato teórico-metodológico da Ecologia de Saberes, o ensino em Cinema e Audiovisual é realizado através de encontros no Tekoa Araça’í. Perguntamo-nos como a cultura e a relação com o território se tornam elementos centrais em práticas de ensino com povos tradicionais. Para isso, analisaremos relatos dos participantes sobre suas experiências.

Resumo expandido

    Nesta comunicação, analisaremos o Projeto de Extensão Arandu Ma Oguata e a influência do Mbya Reko em seu aparato de ensino-aprendizagem. Fundamentado por meio do aparato teórico-metodológico da Ecologia de Saberes, o ensino em Cinema e Audiovisual é realizado através de encontros no Tekoa Araça’í. Em contexto intercultural, o Projeto reúne habitantes do Tekoa com estudantes do Bacharelado em Cinema e Audiovisual da Universidade Estadual do Paraná (Unespar). Dessa forma, o Mbya Reko e o Juruá Reko — modos de vida Mbya Guarani e não indígena, respectivamente — se encontram e formam diálogos por meio da troca de conhecimentos acerca da teoria e prática em audiovisual. A partir dessa perspectiva horizontal, são realizados os encontros com atividades que incorporam o território na aprendizagem de Cinema e Audiovisual. Como por exemplo as capturas sonoras realizadas em trilhas do Tekoa para a produção de uma cartografia sonora daquela área. Dessa forma, o processo formativo é desenvolvido com a participação de todos, promovendo a construção de vínculos entre participantes de diferentes culturas e idiomas.

    A partir dessas experiências, evidencia-se como o Tekoa e a cultura Mbya são centrais para o desenvolvimento das ações do Projeto. Além da cartografia sonora, o projeto inclui momentos de diálogo, exibição de filmes indígenas e a produção audiovisual coletiva. Somado a isso, o território interfere certas decisões, como nos períodos de chuva intensa, que inviabilizam o deslocamento dos participantes da Unespar até o Tekoa. Assim, trata-se de uma proposta com caráter intercultural e territorializado. Diante disso, questiona-se em que medida esse aspecto se aplica a outros projetos de ensino-aprendizagem em comunidades tradicionais. Para a realização de práticas de Cinema-Educação nesses contextos, é necessário que o projeto incorpore a cultura e o território local, refletindo suas especificidades em suas propostas de ensino?

    Em vista de investigar esse problema, iremos analisar relatos previamente registrados dos participantes. Assim, os três (3) anos de produção intercultural colaborativa do Projeto serão refletidos. Busca-se, ainda, identificar nas falas dos entrevistados as enunciações relacionadas aos elementos da cultura e território Mbya Guarani e como isso é evidenciado nas atividades dos encontros. A análise contempla tanto aspectos quantitativos, como a frequência dessas menções, quanto qualitativos, considerando as percepções dos participantes sobre a relevância desses elementos para o ensino-aprendizagem em Cinema e Audiovisual.

    Destaca-se que a pesquisadora responsável por esta investigação mantém contato direto com o Projeto desde seu primeiro ano de desenvolvimento, quando atuou como monitora egressa do Bacharelado em Cinema e Audiovisual. Portanto, mantém uma relação de familiaridade com o Projeto de maneira contínua. Somado a isso, atualmente no Programa de Pós-Graduação em Artes da Unespar, desenvolve a pesquisa intitulada “Cinema e Educação para além da sala de aula: análise do Projeto de Extensão Arandu Ma Oguata”. Tal trajetória evidencia a capacidade da pesquisadora em conduzir esta investigação de maneira fundamentada e sensível.

    Do ponto de vista teórico-metodológico, a principal base para esta pesquisa são autores que abordam Ecologia de Saberes, Cinema-Educação ou Educação Diferenciada. Edgar Morin (2000, 2003), Paulo Freire (1987) e Boaventura de Sousa Santos (2007) são alguns desses nomes que desenvolvem análises acerca da educação no contexto do Brasil. Acrescentam-se, as pesquisadoras Gisela Pascale de Camargo Leite e Mariana Rodrigues (2010) que investigam a possibilidade de ensinar Cinema fora da escola. Diante disso, iremos construir um diálogo de saberes dessas teorias em conjunto com a prática através dos relatos dos participantes do Projeto Arandu Ma Oguata. Desse modo, acreditamos ser possível buscar uma resposta quanto a problemática desta comunicação.

Bibliografia

    BERGALA, A. Hipótese cinema. São Paulo: Cosac Naify, 2008.
    LEITE, Gisela Pascale de Camargo; RODRIGUES, Mariana. Resenha: A hipótese-cinema: pequeno tratado de transmissão do cinema dentro e fora da escola. Revista contemporânea de educação, v. 5, n. 9, p. 100-106, 2010.
    MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. Tradução de Eloá Jacobina. 8. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.
    MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. Tradução de Catarina Eleonora. F. da Silva e Jeanne Sawaya. 2. ed. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2000.
    SANTOS, Boaventura de Sousa. Para além do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes. Novos Estudos. CEBRAP, n. 79, p. 71-94, nov. 2007. D.O.I.: https://doi.org/10.1590/S0101-33002007000300004
    FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 34. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.