Ficha do Proponente
Proponente
- Juliana Ferreira Torres (UNICAMP)
Minicurrículo
- Doutoranda em Multimeios na Unicamp. Roteirista e realizadora audiovisual. Tem licenciatura em Letras e mestrado em Cinema e Artes do Vídeo (PPG-CINEAV) pela Unespar. Pesquisa o cinema de autoria negra e feminina. Organizadora do catálogo Cineastas das Margens – cartografia de diretoras negras no estado do Rio de Janeiro (LPG/SECEC-RJ).
Ficha do Trabalho
Título
- O OLHAR DISRUPTIVO: quando mulheres negras olham para a câmera
Seminário
- (Re)existências negras e africanas no audiovisual: epistemes, fabulações e experiências
Resumo
- Esta comunicação tem como objetivo analisar sequências de filmes do Cinema brasileiro dirigidos por cineastas negras nos quais as mulheres negras em cena olham para a câmera, rompendo a fábula, como estratégia de provocar desconforto sobre os regimes de visibilidades de seus corpos através da exposição do dispositivo cinematográfico.
Resumo expandido
- Esta comunicação tem como objetivo analisar sequências de filmes do cinema brasileiro dirigidos por cineastas negras nos quais as mulheres negras em cena olham para a câmera rompendo a fábula como estratégia de provocar reflexões sobre os regimes de visualidades sobre seus corpos através da exposição do dispositivo cinematográfico. Quando a personagem Violeta, do filme Café com Canela (2017) dirigido por Ary Rosa e Glenda Nicácio, olha diretamente para câmera/espectador e questiona: Será que eles me veem também? Ela não estaria igualmente se/nos perguntando se é vista, sendo uma mulher negra, no/pelo cinema? As mulheres negras têm sido tem sido retratadas por câmeras desde o surgimento das máquinas fotográficas, que depois deram origem às máquinas de cinema. Seus corpos eram plasmados na película porém suas subjetividades e individualidades anuladas, como vemos nos cartões-postais de Marc Ferrez e Rodolpho Lindemann, entre tantos outros, a partir do século XIX, em que pessoas negras, principalmente mulheres, eram exibidas como “tipos exóticos” facilmente ocupados em seus labores. Mais tarde encontramos as representações de mães-pretas, estereotipadas e superficiais, do cinema hollywoodiano. Porém, ao assumir a direção e devolver o olhar, mulheres negras, desafiam o status quo das narrativas audiovisuais que invisibilizam as mulheres negras. Como bell hooks afirma: “Ao olhar corajosamente, declaramos em desafio: “Eu não só vou olhar. Eu quero que meu olhar mude a realidade”, por isso, nosso interesse está no momento em que as atrizes em cena olham diretamente para a câmera, rompendo com os códigos do cinema narrativo clássico e expondo o dispositivo cinematográfico, como estratégia de denuncia e crítica da representação de mulheres negras pelo cinema. De novo é bell hook que sustenta que o cinema feito por mulheres negras é: “um processo crítico que “desfaz a estrutura da narrativa clássica por meio de uma insistência naquilo que ela reprime”. Aqui serão analisadas sequências dos filmes Café com canela (2017) de Glenda Nicácio e Ary Rosa, República (2020) de Grace Passô e Experimentando o vermelho em dilúvio (2016) de Michelle Mattiuzzi tendo em mente que, o Cinema Negro Feminino brasileiro vem reconfigurando as visualidades, alimentando o imaginário coletivo com outras imagens, como diz Leda Maria Martins “não importa apenas desvelar os malefícios da imagem. É necessário desmontá-la, interromper seu fluxo, incidir sobre ela, propor outras possibilidades de sua produção e registros”.
Bibliografia
- BORGES, Rosane. Mídia, racismos e representações do outro: ligeiras reflexões em torno da imagem da mulher negra. In: BORGES, R. C. S.; BORGES, R. (org.). Mídia e racismo. Petrópolis, 2012.
DAYAN, Daniel. O código tutor do cinema clássico. In RAMOS, Fernão. Teoria contemporânea do cinema, vol.1. São paulo: Senac, 2004.
HOOKS, bell. Olhares Negros: raça e representação. São Paulo: Editora Elefante, 2019.
LAURETIS, Teresa. Tecnologias do gênero. In Tendências e impasses: O feminismo como crítica da cultura. HOLLANDA, Heloisa Buarque de (orgs). Rio de Janeiro: Rocco, 1994.
MARTINS, Leda Maria. Performances do tempo espiralar: poéticas do corpo-tela. Rio de Janeiro: Cobogó: Encruzilhada, 2021.
MACHADO. Arlindo. O sujeito na tela, modos de enunciação no cinema e no ciberspaço. São Paulo: Ed. Paulus, 2007.
MIRZOEFF, Nicholas. O direito a olhar. In: ETD – Educação Temática Digital, v. 18, n. 4,
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