Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Rosane Kaminski (UFPR)

Minicurrículo

    Bolsista PQ-C do CNPq. Professora Associada IV da UFPR. Doutora em História (UFPR) e Pós-doutora em Meios e Processos Audiovisuais (USP). Docente no PPGHIS-UFPR, no PPGAV e no PPGCINEAV da Unespar. Autora de A poética da angústia: cinema e história em Sylvio Back (Intermeios, 2021); e A formação de um cineasta (Ed. UFPR, 2018). Coorganizadora de História e Imagem (Paco, 2024); Monumentos, Memória e Violência (Letra e Voz, 2022) e Arte e Política no Brasil (Perspectiva, 2014), entre outros.

Ficha do Trabalho

Título

    A presença do cinema em exposições de arte contemporânea: o caso do filme Alma no olho

Seminário

    Estudos Comparados de Cinema

Resumo

    Pretende-se comparar a presença do filme Alma no olho (Zózimo Bulbul, 1973) em três exposições de arte contemporânea realizadas no Brasil entre 2021 e 2025: [1] a 34ª Bienal Internacional de Artes de São Paulo (2021); [2] a exposição “Necrobrasiliana” em Curitiba (2022); e [3] a 36ª Bienal Internacional de Artes de São Paulo (2025). Destaca-se a retomada desse filme no atual contexto expositivo das artes visuais, avaliando-o dentro do recente processo de valorização das artes e do cinema negro.

Resumo expandido

    Em 1973, o ator Zózimo Bulbul escreveu e dirigiu o seu primeiro filme, intitulado Alma no olho, no qual faz uso do seu próprio corpo como elemento central para performar a história da população negra no Brasil. Com seu ritmo conduzido pela música Kulu se mama, de Julian Lewis, executada por John Coltrane, Alma no olho foi feito em película 35mm e destinado ao meio cinematográfico, tendo sido exibido publicamente no Brasil somente em 1977, na Jornada de Curta-Metragem de Salvador. Desde então, por muitos anos foi um material pouco conhecido nas narrativas sobre a história do cinema brasileiro. Na última década, além de ter sido valorizado como material crucial para se pensar uma história do cinema negro feito no país, esse filme passou a ser incorporado em importantes exposições de arte contemporânea. Afinal, como diz Noel Carvalho (2012), Alma no olho é “uma peça de arte, como um quadro ou uma instalação. Sua narrativa circular permite que seja projetado em looping, exposto em um museu ou outdoor”. Nesse sentido, a presente comunicação propõe um estudo comparativo sobre a presença do filme Alma no olho em três exposições de arte contemporânea realizadas no Brasil entre 2021 e 2025, a saber: [1] a 34ª Bienal Internacional de Artes de São Paulo intitulada “Faz escuro mas eu canto” (2021); [2] a exposição “Necrobrasiliana” (2022), com curadoria de Moacir dos Anjos, realizada no MUPA em Curitiba e na Fundação Joaquim Nabuco em Recife; e [3] a 36ª Bienal Internacional de Artes de São Paulo intitulada “Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática” (2025-26). Vale pontuar que, antes das exposições selecionadas para este trabalho, às quais tive a oportunidade de visitar, o filme já havia integrado outras importantes mostras de artes, como a coletiva “Agora somos todxs negrxs?” (2017), realizada no Galpão VB, no Rio de Janeiro, com curadoria de Daniel Lima. Destaca-se, portanto, a súbita retomada desse filme feito em 35mm em 1973 no atual contexto expositivo das artes visuais, entendendo-a como parte do processo de valorização das artes e do cinema negro e reinvenção de mundos ocorrida na última década. Desde aproximadamente 2016, a partir da pressão crítica oriunda do meio artístico negro organizado, a sensibilidade em torno da importância da produção negra brasileira cresceu (BISPO, 2020). Nesse processo, o filme de Zózimo Bulbul vem sendo constantemente exibido, participando ativamente da metamorfose do mundo que atualmente partilhamos. No recorte proposto para este estudo, o objetivo será verificar as escolhas estéticas quanto aos meios físicos de exibição do filme, refletindo sobre a sua corporeidade enquanto obra, bem como os sentidos políticos, afetivos e históricos potencialmente evocados por essas escolhas, considerando os diálogos estabelecidos com outras obras e com o espaço de circulação em cada uma das três mostras selecionadas.

Bibliografia

    ANJOS, Moacir dos. Necrobrasiliana. Curitiba, 2022. Catálogo de exposição.
    BISPO, Alexandre Araujo. “Abundância” e vulnerabilidade: fomento, criação e circulação das artes negras entre 2016 e 2019. O Menelick 2º Ato. Junho de 2020.
    CARVALHO, Noel dos Santos. Esboço para uma história do negro no cinema brasileiro. In: DE, Jeferson. Dogma Feijoada: o cinema negro brasileiro. São Paulo: Imprensa Oficial, 2005.
    CARVALHO, Noel dos Santos. O produtor e cineasta Zózimo Bulbul – o inventor do cinema negro brasileiro. Revista Crioula, São Paulo, n.12, 2012.
    KAMINSKI, Rosane. Formas da violência no cinema brasileiro moderno. In: GRUNER, C.; KAMINSKI, R. História e imagem: representações de traumas. Jundiaí-SP: Paco Editorial, 2024c, v.1, p. 331-363.
    LIMA, Diane. Tempo negro: abstração e racialidade na arte contemporânea brasileira. MAC USP Processos Curatoriais: curadoria crítica e estudos decoloniais em artes visuais – diásporas africanas nas Américas, 2021.