Ficha do Proponente
Proponente
- Andrea C. Scansani (UFSC)
Minicurrículo
- Professora associada da Universidade Federal de Santa Catarina
Ficha do Trabalho
Título
- Memória histórica entre zonas de silêncio: o Paraguai de Marcelo Martinessi em “Narciso” (2016).
Resumo
- Esta proposta investiga as relações entre cinema e memória histórica a partir da adaptação cinematográfica homônima do romance “Narciso”, de Guido Rodríguez Alcalá (2016), realizada pelo cineasta paraguaio Marcelo Martinessi (2026).
Resumo expandido
- Esta proposta investiga as relações entre cinema e memória histórica a partir da adaptação cinematográfica homônima do romance “Narciso”, de Guido Rodríguez Alcalá (2016), realizada pelo cineasta Marcelo Martinessi (2026). Situada no Paraguai dos anos finais da década de 1950, sob a ditadura de Alfredo Stroessner, a narrativa literária articula um contexto de crise econômica, repressão política e controle social, tendo como ponto central o assassinato do locutor Bernardo Aranda, que foi mobilizado pelo regime como estratégia de desvio da atenção pública e intensificação da perseguição a dissidentes e homossexuais. A adaptação fílmica reconfigura esses elementos para o universo do rock paraguaio, enfatizando tensões entre juventude, desejo e normatividade, em uma sociedade na qual “qualquer atividade que escapasse aos códigos tradicionais era vista como suspeita” (Martinessi, 2026). O filme, desse modo, não busca uma reconstituição histórica linear, mas investe na construção de atmosferas, silêncios e zonas de indeterminação, nas quais a ditadura emerge menos como evento passado do que como estrutura ainda operante no presente. Além disso, a presença do guarani, como marcador de uma divisão histórica entre classes e de uma organização do poder, sugere a hipótese do próprio diretor, de um país nunca completamente conquistado, no qual pensamento, desejo e intimidade não se deixaram inteiramente capturar pela língua do dominador. Assim, ao articular música, língua e memória, o filme constrói um campo de forças no qual identidade e poder se configuram de maneira instável, abrindo espaço para pensar o Paraguai e, por extensão, a América Latina, olhando para as suas fissuras, sobrevivências e contradições.
Bibliografia
- ALCALÁ, Guido Rodríguez. Narciso (2016), Asunção: Criterio ediciones, 2016.
GONZATTO, Camila. “Paraguay nunca fue completamente conquistado”, entrevista com Marcelo Martinessi. Humbolt, Instituto Goethe, feveiro de 2026.
MELIÀ, Bartomeu. Bartomeu Melia – Una nación, dos culturas. Assunção: Centro de Estudios Paraguayos Antonio Guasch, 1997.
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POZZO, Aníbal Orué; FALABELLA, Florencia. Hombres, mujeres y nación: representaciones en medios impresos durante la dictadura stronista en Paraguay (año 1959). Chasqui: Revista Latinoamericana de Comunicación, n. 135, Quito, 2017, p. 71-87.
CUEVAS, Clara Eliana “Desnaturalizando o destino da humanidade”: homossexualidade, pátria e stronismo. Foz de Iguaçu: Revista Sures / Unila, julho de 2014, p. 1-14.