Ficha do Proponente
Proponente
- Camila Vieira da Silva (Secult Ceará)
Minicurrículo
- Camila Vieira da Silva é crítica, pesquisadora e curadora de cinema. Doutora em Comunicação e Cultura pela UFRJ. Faz parte da equipe de curadoria da Mostra de Cinema de Tiradentes e da CineOP. É co-organizadora do livro “Mulheres Atrás das Câmeras: as cineastas brasileiras de 1930 a 2018”, que foi indicado ao 62º Prêmio Jabuti na categoria Ensaios-Artes, em 2020. É analista de gestão cultural e atualmente exerce o cargo de coordenadora de Cinema e Audiovisual da Secult Ceará.
Ficha do Trabalho
Título
- As políticas públicas para o audiovisual na Secult Ceará
Seminário
- Políticas, economias e culturas do cinema e do audiovisual no Brasil
Resumo
- De 2021 até 2026, a Secretaria da Cultura do Ceará realiza políticas públicas para o audiovisual cearense, a partir da sanção da Lei Estadual n. 17.857/2021 que institui o Programa Ceará Filmes, e da Lei Estadual n. 19.615/2025, que cria a Empresa Cearense do Audiovisual. Este trabalho pretende apresentar as principais ações públicas estaduais para o audiovisual realizadas neste período pela Secult Ceará, com base nos princípios das duas leis.
Resumo expandido
- Nas últimas duas décadas, o audiovisual feito no Ceará vem alcançando cada vez mais reconhecimento em festivais nacionais e internacionais. Três exemplos recentes de maior projeção foram a seleção do longa-metragem Motel Destino, de Karim Aïnouz, para a competitiva oficial do Festival de Cannes, em 2024; a exibição dos quatro curtas-metragens do projeto Director’s Factory Ceará-Brasil, no mesmo festival em 2025; e a seleção e premiação de Feito Pipa, de Allan Deberton, e Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha, de Janaína Marques, na Berlinale, em 2026. Além da visibilidade nos festivais, o audiovisual cearense destaca-se por sua capacidade de geração de emprego, impacto social e promoção da cultura local.
O aumento das produtoras cearenses indica a profissionalização crescente do setor e atrai investimentos para o Ceará. De acordo com dados do Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual da Ancine, as produtoras cearenses atraíram, de 1994 a 2025, mais de R$ 40 milhões por meio de leis federais de incentivo, como a Lei do Audiovisual, e mais de R$ 120 milhões para a contratação de 158 projetos audiovisuais pelo FSA, entre 2009 a 2025. Na esfera estadual, entre 2014 a 2024, a Secult Ceará investiu quase R$ 130 milhões de fomento direto para o setor, por meio de 10 editais que beneficiaram 574 agentes culturais, contemplando 727 projetos distribuídos por 69 municípios do Ceará.
Os valores robustos de investimento no setor audiovisual do Ceará demonstram a capilaridade da cadeia produtiva do audiovisual cearense no acesso às políticas públicas federais e estaduais, além de refletir na economia do Estado. De acordo com relatório de 2025 da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), o setor audiovisual cearense contribuiu em 2019 com R$ 2 bilhões de valor de produção para o Brasil e cerca de R$ 1 bilhão de valor adicionado no PIB nacional, além de 15.601 ocupações geradas. A mesma pesquisa revela que, para cada R$ 1,00 imputado no audiovisual cearense dentro da média de suas atividades econômicas, aumentou-se o produto da economia brasileira em R$ 3,10. É resultado melhor que o setor de agricultura no Ceará que retornou R$ 2,05 e próximo do setor de confecção de vestuário e acessórios (R$ 3,51) e construção (R$ 3,24).
O Ceará abrange 283 produtoras audiovisuais independentes, sendo 40 classificadas com nível 2, 3 e 4 na Ancine (níveis que implicam maior capacidade de captação de recursos federais para investimentos em produções); 4 empresas com atividade econômica principal de distribuição e 658 organizações da sociedade civil (OSCs). Em formação, o Ceará tem 7 cursos de nível superior em audiovisual, além de instituições como Casa Amarela e Vila das Artes e os equipamentos culturais da Secult Ceará que oferecem cursos básicos e técnicos na área, como a Escola Porto Iracema das Artes – que também realiza ações de internacionalização – e o Centro Cultural do Bom Jardim (CCBJ). O Museu da Imagem e do Som (MIS-CE) é a instituição pública estadual responsável pela preservação do audiovisual cearense. O Cineteatro São Luiz e o Cinema do Dragão compõem a rede pública estadual de exibição, junto com o projeto Cinema da Cidade, que inclui 12 salas públicas de exibição em 6 municípios do interior do Ceará.
O cenário demonstra amadurecimento do setor audiovisual cearense, sobretudo a partir de ações do poder público estadual, através das diretrizes da Lei Estadual n.º 17.857/2021, que institui o Programa Estadual de Desenvolvimento do Cinema e Audiovisual – Programa Ceará Filmes. O acúmulo de escutas, reuniões e grupos de trabalho, realizados entre Secult Ceará, sociedade civil e instâncias do governo, apontam para o esforço de sinergia entre diferentes segmentos em defesa do audiovisual cearense. As tratativas levaram à criação da Empresa Cearense do Audiovisual, pela Lei Estadual n. 19.615/2025, que está em processo de implementação.
Bibliografia
- ANCINE. Agência Nacional do Cinema. Observatório do Cinema e do Audiovisual.
BAHIA, Lia. Discursos, políticas e ações: processos de industrialização do campo cinematográfico brasileiro. São Paulo, Itaú Cultural, 2012.
BAHIA, Lia, BUTCHER, Pedro e Tinen, PEDRO. Imaginar o audiovisual como política pública. Belo Horizonte, Universo Produção, 2023.
COSTA, M. R. da. Cinema, desenvolvimento e o papel dos governos estaduais no Brasil. Revista Latinoamericana de Ciencias de la Comunicación, [S. l.], v. 10, n. 19, 2014.
FIPE. Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas. Pesquisa de impacto socioeconômico do setor audiovisual do Estado do Ceará. Ago. 2015. Disponível em: https://www.secult.ce.gov.br/wp-content/uploads/sites/43/2025/09/Relatorio-FIPE-Agosto_2025.pdf . Acesso: 12.04.2026.
RUBIM, Antônio. Políticas culturais no Brasil: Tristes tradições. In: Revista Galáxia, São Paulo, 2007. jun. 2007.