Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Gustavo Russo Estevão (PPGIS – UFSCar)

Minicurrículo

    Ingressou no programa de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Imagem e Som – UFSCar, 2024. Graduação em Rádio e TV pela UNESP, 2000. Mestrado em Imagem e Som (UFSCar), 2016. Sócio diretor do estúdio Usinanimada (2001), no qual atua como roteirista e diretor audiovisual. Atua como professor nos cursos de graduação: Produção Audiovisual, Design Gráfico, Publicidade e Propaganda e Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá; professor do curso de Publicidade e Propaganda da UNIP.

Ficha do Trabalho

Título

    Clube de Cinema de Ribeirão Preto: o primeiro cineclube

Resumo

    Este trabalho investiga a fundação do Clube de Cinema de Ribeirão Preto, primeira experiência cineclubista da cidade, encabeçada por Rubens Lucchetti. O objetivo é reconstruir o percurso histórico do grupo e sua importância na formação de público no interior paulista. Por meio de pesquisa documental, revisão bibliográfica e entrevistas, a análise evidencia como o movimento local se articulou com o movimento nacional, promovendo experiências que repercutem na formação cultural da cidade até hoje.

Resumo expandido

    A presente pesquisa investiga a trajetória do Clube de Cinema de Ribeirão Preto (CCRP), compreendendo-o como o iniciador da cultura cineclubista na cidade. O estudo propõe uma análise que abrange desde a gênese do movimento cineclubista na cidade até seus desdobramentos contemporâneos, evidenciando como a formação cinematográfica local se organizou em diferentes fases, principalmente a fase inicial, datada de 1959, liderada pelo multiartista Rubens Francisco Lucchetti; e a segunda fase, iniciada em 1979 e que a partir de sua ruptura dá vazão ao surgimento do Cineclube Cauim, entidade em atividade até hoje, contribuindo para a formação cultural e educacional na cidade de Ribeirão Preto e região. O objetivo central é mapear as transformações do CCRP, com especial atenção ao papel formativo, exercido em momentos chave de sua história, articulando a memória institucional do clube com o panorama do cineclubismo brasileiro.
    A investigação ancora-se na pesquisa documental, através de acervos de personagens caros à trajetória do cineclube e entrevistas com os mesmos, dialogando com autores que discutem a sociabilidade cinematográfica e a função dos cineclubes como espaços de educação estética, caso do mantenedor da Cinemateca Brasileira, Paulo Emílio Sales Gomes, figura de destaque na história do CCRP. Um marco decisivo na análise é a primeira fase do Clube de Cinema em 1959, sob a liderança fundamental de Rubens Francisco Lucchetti. A atuação de Lucchetti transbordou a mera exibição, fomentando uma cultura de apreciação que culminou na criação do Centro Experimental de Cinema. Este desdobramento é significativo, pois marca a transição da cinefilia passiva para a prática criativa, permitindo que Ribeirão Preto se tornasse um polo de experimentação audiovisual em diálogo com as linguagens do cinema de gênero e das vanguardas.
    Para a reconstrução histórica, adotou-se a pesquisa documental e a hemerografia, com o exame de edições dos jornais A Cidade e Diário da Manhã, além de documentos de arquivo e registros biográficos. O corpus documental permite identificar a segunda fase do cineclube, iniciada em 1979, em um contexto de redemocratização e efervescência cultural no Brasil. Esta retomada não apenas resgatou a tradição do debate cinematográfico na cidade, mas funcionou como um elo vital para a institucionalização de novos projetos. É nesse cenário que se identifica a influência direta do CCRP na inspiração e fundação do Cineclube Cauim. O Cauim, em atividade ininterrupta até hoje, é herdeiro direto desse acúmulo histórico, mantendo viva a missão de democratizar o acesso ao cinema e preservar o caráter educativo da exibição comentada.
    Os resultados apontam que o Clube de Cinema de Ribeirão Preto funcionou como um laboratório de formação cinematográfica, em um espectro mais amplo, articulando outras formas de expressão como as artes plásticas, música e veículos de comunicação. A articulação entre a fase de 1959, o Centro Experimental de Cinema e a retomada de 1979 revela uma linhagem de resistência que desafia a hegemonia dos circuitos de mercado. Conclui-se que o estudo desta cronologia contribui para preencher uma lacuna na historiografia do cinema regional, reforçando a importância de preservar a memória das instituições cineclubistas como pilares da diversidade audiovisual e da formação crítica. A longevidade do Cineclube Cauim atesta a eficácia dessa herança, consolidando Ribeirão Preto como um centro de referência na preservação da cultura cinematográfica brasileira.

Bibliografia

    BUTRUCE, Débora. Cineclubismo no Brasil: esboço de uma história. Acervo, Rio de Janeiro, v. 16, n. 1, p. 117-124, jan./jun. 2003.
    CAMPOS, Marina da Costa. O Cineclube Antônio das Mortes: trajetória, exibição e produção (1977-1987). São Carlos: UFSCar, 2014.
    GOMES, P. E. S. Chaplin em Ribeirão Preto. Visão, São Paulo, v. 16, n. 15, 15 abr. 1960.
    ________________. Em 120 aulas e 40 filmes. Cineclube pode ser centro de cultura do interior. Visão. São Paulo, 26 dez. 1958.
    LUCCHETTI, Rubens Francisco. Reminiscências volume três: memórias do pai da pulp fiction brasileira. São Paulo: Editora Corvo, 2021.
    SPACA, Rafael. LUCCHETTI: o iniciador da cultura cinematográfica em Ribeirão Preto. Revista Cinema Caipira. n.34, dez. 2011.
    ZANATTO, O curso para dirigentes de cineclubes (1958): momento decisivo para a formação dos cursos universitários de cinema no Brasil (UnB e ECA USP). Ciberlegenda, Niterói, 2022.