Ficha do Proponente
Proponente
- Ana Karolina Aparecida Alves da Silva (UNIFESP)
Minicurrículo
- Ana Karolina Aparecida Alves da Silva é mestranda e bolsista CAPES no Programa de Pós-Graduação em História da Arte da Universidade Federal de São Paulo, onde também concluiu a graduação em História. Sua pesquisa aborda o cinema de horror, as representações de gênero, raça e sexualidade e a instituição familiar no subgênero slasher.
Ficha do Trabalho
Título
- Genealogia monstruosa: Uma análise da família como núcleo do horror no cinema slasher contemporâneo
Eixo Temático
- ET 1 – CINEMA, CORPO E SEUS ATRAVESSAMENTOS ESTÉTICOS E POLÍTICOS
Resumo
- Este trabalho analisa a representação da família no cinema slasher contemporâneo a partir dos filmes Você é o Próximo (2011), Casamento Sangrento (2019) e Lowlifes (2024). A partir do corpus de análise, busca-se compreender de que modo essas obras podem reconfigurar o imaginário da família, tradicionalmente vista como vítima ou heroína, ao apresentá-la como núcleo do horror.
Resumo expandido
- Este trabalho integra uma pesquisa de mestrado em andamento no Programa de Pós-Graduação em História da Arte da Universidade Federal de São Paulo, que investiga de que modo e em que medida o cinema slasher contemporâneo pode operar como espaço de reafirmação ou crítica à família tradicional. O objetivo do trabalho é analisar e problematizar como os filmes slasher contemporâneos abordam o espaço doméstico como local da violência e do horror, revelando tensões de poder e desigualdades, permitindo interpretações críticas sobre as normas familiares e as estruturas sociais que a definem.
Compreende-se que, ao contrário de décadas anteriores, há atualmente uma tendência no cinema contemporâneo slasher em colocar no centro da narrativa um grupo familiar, como pode ser observado nos últimos lançamentos, como Premonição 6: Laços de Sangue (Zach Lipovsky; Adam B. Stein, 2025) e Rua do Medo: Rainha do Baile (Matt Palmer, 2025). Para compreender e analisar essa nova tendência no slasher, foram selecionadas três obras – Você é o Próximo (Adam Wingard, 2011), Casamento Sangrento (Matt Bettinelli-Olpin; Tyler Gillett2019) e Lowlifes (Tesh Guttikonda; Mitch Oliver, 2024) – que são representativas desse momento cinematográfico para investigar essa transformação na estrutura do subgênero, revelando suas modificações e as representações de famílias.
O primeiro filme a fazer parte do corpus de análise é a obra slasher Você é o Próximo (2011). Na trama, acompanhamos uma reunião familiar para celebrar o aniversário de casamento do patriarca e da matriarca da família. Contudo, o ambiente doméstico, que à primeira vista sugere estabilidade e afeto, revela-se um espaço de tensão, marcado por rivalidades entre os filhos, o interesse pela fortuna dos pais e ressentimentos entre os membros da família. O que catalisa o atrito e as desavenças familiares é o ataque dos assassinos mascarados, que transformam o jantar comemorativo em um massacre ao perseguir e matar os membros da família.
Em 2019, é lançado o filme slasher Casamento Sangrento, a segunda obra que compõe o corpus de análise. Nessa obra, acompanhamos a celebração do casamento entre a jovem Grace e Alex Le Domas, membro de uma família rica e dona de um império de jogos de tabuleiro. Prestes a passar a noite de núpcias, Grace descobre que há uma tradição familiar que todos os novos membros da família precisam seguir: participar de um jogo escolhido aleatoriamente. O jogo sorteado por Grace é esconde-esconde, embora pareça ser um jogo ingênuo para a jovem, na verdade, é um ritual onde a família deve caçá-la pela mansão e matá-la até o amanhecer, como parte de um pacto satânico feito por seus antepassados.
A última obra a compor o corpus é o slasher Lowlifes (2024). O filme contrapõe duas famílias de classes distintas: de um lado, uma família urbana de classe média-alta que viaja de motorhome pelo interior dos EUA com o objetivo de assassinar e canibalizar pessoas socialmente vulneráveis; de outro, uma família rural empobrecida, que se torna alvo e vítima da família urbana.
Embora a pesquisa dialogue com abordagens já consolidadas sobre o cinema slasher, sua originalidade reside em estudar como esses filmes contemporâneos podem deslocar a figura tradicional da vítima e do assassino, revelando a família como o agente do horror. Além disso, pretende-se não apenas aplicar as teorias existentes sobre o subgênero, mas propor uma leitura interseccional que articule gênero, classe e estrutura familiar como eixos centrais de análise, um olhar ainda pouco explorado nos estudos de cinema de horror.
Bibliografia
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