Ficha do Proponente
Proponente
- Osvaldo Bruno Meca Santos da Silva (UFPR)
Minicurrículo
- Doutor pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Paraná (UFPR), com a pesquisa Poltronas, imagens e negócios: a Móveis CIMO S.A. e a exibição cinematográfica em São Paulo (1940-1960). Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em História pela Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade Federal de São Paulo (EFLCH/UNIFESP). Graduado e Licenciado em História pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP).
Ficha do Trabalho
Título
- As poltronas do Cine Paulista: A Móveis CIMO S.A. e a customização das salas de cinema
Resumo
- A proposta da comunicação é a análise das poltronas customizadas produzidas pela Móveis CIMO S.A. para o Cine Paulista, inaugurado em 1955 na Rua Augusta, em São Paulo. A partir do periódico Cine-Repórter, discute-se como o mobiliário participou da construção estética e simbólica das salas de cinema, articulando conforto, identidade paulista e estratégias de distinção no circuito exibidor da década de 1950.
Resumo expandido
- A Móveis CIMO S.A. teve, em seu portifólio, uma lista considerável de customizações. Uma delas, que merece destaque, são as poltronas elaboradas para o Cine Paulista, inaugurado em 1955 na esquina da Rua Augusta com a Rua Oscar Freire, em São Paulo. A partir da análise de fontes da imprensa especializada, especialmente o periódico Cine-Repórter: Semanário Cinematográfico, a comunicação discute como o mobiliário das salas de cinema participou da construção simbólica, estética e comercial dos espaços de exibição no período. Durante a década de 1950, a região da Rua Augusta e do bairro dos Jardins foi frequentemente anunciada como uma “Nova Cinelândia” paulistana, refletindo transformações urbanas, comerciais e culturais associadas à expansão do comércio e do circuito exibidor para a região oeste. Nesse contexto, o Cine Paulista, pertencente ao empresário J. B. Andrade e integrado ao circuito da Companhia Cinematográfica Serrador, foi apresentado pela imprensa como uma sala moderna e inovadora. Tal expectativa se estendia ao mobiliário da plateia. As poltronas fornecidas pela Móveis CIMO S.A. tornaram-se um dos elementos centrais na divulgação do novo cinema. O modelo desenvolvido para o Cine Paulista possuía características altamente customizadas. Além das inovações estruturais relacionadas ao sistema de molas, a cobertura foi concebida com listras em preto e branco, evocando as cores da bandeira do estado de São Paulo. A escolha dialogava diretamente com o nome da sala e com o contexto simbólico da cidade naquele momento, marcado pelos festejos do IV Centenário de São Paulo, em 1954, quando a figura do bandeirante e a identidade paulista estavam amplamente mobilizadas no discurso público. Na cobertura jornalística da inauguração do cinema, em maio de 1955, as poltronas receberam destaque incomum. Uma das páginas da reportagem foi dedicada exclusivamente ao mobiliário da plateia, com fotografias do modelo em diferentes ângulos e descrições detalhadas de suas características. A análise desse caso permite evidenciar como o mobiliário, frequentemente tratado como elemento secundário na historiografia do cinema, participou ativamente da construção das experiências de exibição. As poltronas não apenas estruturavam a disposição física da plateia, mas também contribuíam para a criação de identidades visuais, narrativas de modernidade e estratégias de distinção comercial entre as salas.
Bibliografia
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