Ficha do Proponente
Proponente
- Rafael de Luna Freire (UFF)
Minicurrículo
- Professor associado no Departamento de Cinema e Vídeo e no Programa de Pós-Graduação em Cinema e Audiovisual da Universidade Federal Fluminense. Coordenador do Laboratório Universitário de Preservação Audiovisual (LUPA-UFF) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Preservação e Restauração Audiovisual (INCT PreRes).
Ficha do Trabalho
Título
- Por uma história do cinema fora das salas de cinema no Brasil.
Seminário
- Arquivo e contra-arquivo: práticas, métodos e análises de imagens
Resumo
- O estudo da presença do cinema fora das salas de cinemas, no Brasil, ao longo do século XX, ainda demanda mais investimentos. Não existe sequer um termo consensual, em português, para designar o “non-theatrical”. Assim, por onde começar? Essa apresentação parte da história do Cine Propaganda Fluminense, empresa que exibia filmes 16mm em praças públicas de cidades fluminenses, entre os anos 1960 e 1970, analisando sua documentação, que inclui cópias de filmes, recentemente doada ao LUPA-UFF.
Resumo expandido
- O estudo da presença do cinema fora das salas de cinemas, no Brasil, ao longo do século XX, ainda demanda mais investimentos. Não existe sequer um termo consensual, em português, para designar as projeções regulares de filmes em outros espaços que não a sala de cinema comercial, a exemplo da expressão em inglês “non-theatrical”, utilizada para descrever o circuito de igrejas, escolas, hospitais, clubes e outros espaços onde filmes também eram regularmente exibidos (Brown; Goldman, 2024). A expressão “outros filmes”, apesar de convocar o necessário interesse para além do longa-metragem comercial (ex: filmes familiares e amadores), dá continuidade a uma tradição textualista, focada no conteúdo/forma das obras fílmicas, que se expressou em nossa historiografia muito mais voltada para a análise de filmes brasileiros do que para a história do cinema no Brasil. Até o interesse mais recente pela história da circulação e do consumo cinematográfico (a chamada “New Cinema History”), na perspectiva de análise socioeconômica do cinema, também se voltou, principalmente, para a sala de cinema comercial tradicional, como raras exceções (Waller, 2023).
Mas por onde e como começar a pesquisar a história da exibição de “outros filmes” fora dos cinemas? Que imagens em movimento circularam nesses espaços alternativos à sala de cinema?
Para discutir essas questões, a comunicação irá analisar a história do Cine Propaganda Fluminense, uma empresa fundada pelo veterano cineasta Eduardo Abelin para a exibição de filmes 16mm em praça pública, entremeados de anúncios publicitários, no Estado do Rio de Janeiro, entre os anos 1960 e 1970. Para isso, iremos apresentar reflexões que partem de documentos inéditos, incluindo cópias de filmes 16mm, que foram recentemente doados, por Patricia e Edu Abelin (neta e filho de Eduardo), para o LUPA-UFF.
Relacionando o estudo de caso da Cine Propaganda Fluminense a pesquisas já conduzidas sobre outras empresas – como a Corrêa Souza Filmes (Freire, 2024) –. torna-se possível esboçar análises mais amplas sobre a história do cinema fora das salas de cinemas no Brasil. E como aliados nessa difícil tarefa devem estar pesquisadores e arquivos que localizem, reúnam e disponibilizem documentação sobre esse outro cinema, fomentando um contra-arquivo da história do cinema brasileiro.
Bibliografia
- BROWN, Madison; GOLDMAN, Tanya. “What’s in a name? A forum on the past, present and potential futures of non-theatrical media studies”. Jump Cut, n. 62, 2024.
FREIRE, Rafael de Luna. “Corrêa Souza Filmes: três gerações de profissionais da produção, distribuição e exibição cinematográfica em 16mm”. In MELO, Luís Alberto Rocha; ARAÚJO, Luciana Corrêa de; FREIRE, Rafael de Luna Freire (orgs.). Cinema sob medida: diversidade de formatos, circuitos e consumo no Brasil. São Paulo: Ilustre Comunicação Criativa: PPGCine-UFF: Faperj, 2024.
WALLER, Gregory A. Beyond the Movie Theater: Sites, Sponsors, Uses, Audiences. Oakland: University of California Press, 2023.