Trabalhos aprovados 2026

Ficha do Proponente

Proponente

    Vinícius Oliveira Rocha (UNICAMP)

Minicurrículo

    Doutorando em Multimeios pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Mestre em Comunicação e graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), onde também exerceu a atividade de professor substituto de Jornalismo (2023-2024). Pesquisa nas linhas do Jornalismo Regional, Geografias da Comunicação, Jornalismo Cultural, Crítica Cinematográfica e Estudos do Cinema. Além disso, também atua como escritor e crítico de cinema e TV no portal Oxente, Pipoca.

Ficha do Trabalho

Título

    A presença (ou ausência) do som na crítica cinematográfica: o caso de O Som ao Redor

Resumo

    O presente artigo busca analisar como a crítica cinematográfica se detém sobre os aspectos formais de um filme, em particular o som. Para isso tomou-se como objeto as críticas escritas sobre “O Som ao Redor” (2013), primeiro longa-metragem de ficção do diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho. Propõe-se uma investigação da maneira como as críticas abordaram esse campo tão singular e crucial (ou se o abordaram).

Resumo expandido

    O presente artigo busca analisar como a crítica cinematográfica se detém sobre os aspectos formais de um filme, em particular o som. Para isso tomou-se como objeto as críticas escritas sobre “O Som ao Redor” (2013), primeiro longa-metragem de ficção do diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho. Toma-se como base o postulado de Bruno (2016) de que o filme foi montado para que a atenção do público ao som dele se desse da maneira mais atenta e ativa possível, a partir de um trabalho radicalmente distinto do que se fazia no campo sonoro no cinema brasileiro até então. A partir disso, propõe-se uma investigação da maneira como as críticas abordaram esse campo tão singular e crucial (ou se o abordaram), adotando o uso da Análise de Conteúdo como metodologia de modo a identificar os principais conceitos e categorias trabalhados ao se falar do som do filme.

    Entende-se a crítica como um gênero discursivo que se apoia em recursos linguísticos argumentativos, informando o leitor sobre a obra fílmica analisada e o tema em debate, as qualidades e os defeitos evidenciados na produção e o desempenho dos profissionais envolvidos (Braga, 2013). Uma vez que a crítica cinematográfica, segundo a autora, nasceu quase ao mesmo tempo que o próprio cinema, ela pôde acompanhar a própria evolução técnica, conceitual e narrativa deste.

    Nesse sentido, a escolha por “O Som ao Redor” (2013) não foi à toa, visto que desde seu título se evidencia a ênfase e a importância do som para a obra, o que, segundo Bruno (2016), é reflexo do apuro e importância que Kleber dá ao campo sonoro dos seus filmes, desde os primeiros curtas que dirigiu ainda na década de 1990. O autor também considera que o trabalho de som de “O Som ao Redor” marcou uma disrupção em relação ao padrão visto no cinema brasileiro da época, padrão este ainda muito atrelado às normas hegemônicas do cinema hollywoodiano. Tal disrupção não ocorreu sem polêmicas, já que profissionais da área criticaram e questionaram as escolhas feitas por Kleber e sua equipe quanto ao uso dos sons no filme.

    Tomando-se como metodologia a Análise de Conteúdo, foi levantado um corpus composto por 22 críticas, oriundas de 20 sites diferentes. A partir do corpus e do referencial teórico adotado, a hipótese levantada para este trabalho foi a seguinte: em decorrência das estruturas padronizadas e pré-definidas que a crítica cinematográfica incorporou ao longo dos tempos, há uma maior ou menor ênfase numa discussão ao respeito do trabalho de som em “O Som ao Redor”.

    A maioria dos críticos (17 dos 22) aborda o som em seus textos sobre “O Som ao Redor”, valendo-se de diversos termos e palavras-chave relativos ao universo sonoro, como “Som”, “Sons”, “Barulho/Barulhos”, “Ruído/Ruídos”, “Música”, “Trilha/Trilha Sonora”, dentre outros. Em algumas ocasiões os termos são designados de maneira genérica, enquanto em outras são aplicados para se referir ao trabalho técnico do som no filme.

    A análise das críticas selecionadas para o corpus desta pesquisa indica que, ainda que a maioria delas tenha aberto espaço para falar do som e do seu papel em “O Som ao Redor”, só o fez em no máximo um ou dois parágrafos. Esse olhar mais superficial decorre daquilo que Rocha (2023) apontou como a estrutura padronizada e pré-definida da crítica; muitas vezes se observa que cada parágrafo do texto é organizado para discorrer sobre aspectos específicos do filme.

    Entretanto, mesmo quando as impressões dos críticos se resumem a alguns poucos parágrafos, com o emprego de termos generalistas que dão uma ideia geral sobre esse trabalho do som, fica evidente que esse trabalho gerou um impacto e despertou diversas reflexões nos profissionais. Para a maioria dos críticos, os “sons”, “sonoridades”, “ruídos”, “barulhos”, “trilha” e etc. foram entendidos como pontos fortes da obra e um dos seus fatores mais distintos.

Bibliografia

    BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Tradução : Luís Antero Reto, Augusto Pinheiro. São Paulo : Edições 70, 2016.

    BRAGA, Carolina. A crítica jornalística de cinema na internet: um dispositivo em transformação. 2013. Tese (Doutorado em Comunicação Social) – Universidade Federal de Minas Gerais e Universidad Autónoma de Barcelona. 2013.

    BRUNO, Leonardo Bortolin. Processos ao redor: uma discussão entre técnica e estética a partir de uma outra escuta do filme O Som Ao Redor. 2016. Dissertação (mestrado em Multimeios), Universidade Estadual de Campinas, Campinas-SP, 2016, 149 p.

    O SOM AO REDOR. Direção: Kleber Mendonça Filho. Produção: Emilie Lasclaux. Roteiro: Kleber Mendonça Filho. Vitrine Filmes (Brasil). 2012 (131 min.).

    ROCHA, Vinícius Oliveira. A crítica de cinema como gênero discursivo jornalístico: um estudo de caso a partir de Bacurau. 2023. Dissertação (Mestrado em Comunicação) – Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 2023.