Trabalhos Aprovados 2022

Ficha do Proponente

Proponente

    Thalita Cruz Bastos (UFF)

Minicurrículo

    Doutora em Comunicação Social (UFF), bolsa PDSE/Capes University of Reading. Coordenadora de pesquisa do projeto “Niterói em imagens: repositório digital de fotografias e filmes” (LUPA-UFF). Coordenadora do MBA em Produção Audiovisual para Web: do roteiro ao marketing digital na ECDD/INFNET.Professora dos cursos Cinema e Audiovisual, Jogos Digitais e Publicidade e Propaganda na ECDD/INFNET.Professora do curso de Jornalismo na UNISUAM. Pesquisadora iconográfica e audiovisual.

Ficha do Trabalho

Título

    Desejo, Corpo e Dança: as intensidades incendiárias em Ema (2019)

Mesa

    Intertextualidades, Afetos e Infernos

Formato

    Presencial

Resumo

    “Ema” (2019) de Pablo Larraín narra a trajetória da bailarina Ema na cidade de Valparaíso (Chile) enquanto busca lidar com as desventuras causadas por uma adoção malsucedida, juntamente com seu marido e o coreógrafo Gastón. Nossa proposta é tratar das potências de desejo que emanam do corpo da protagonista através da dança popular periférica performada por um corpo feminino e para isso serão usados como referência Susan Paasonen, Silvia Fererici, Sara Ahmed e André Lepecki.

Resumo expandido

    O corpo feminino desejante pode ser lido como dissidente. A profusão de intensidades e desejos que atravessam o corpo de Ema, protagonista do filme de mesmo nome de Pablo Larraín, oferece um vislumbre das potencias de resistência e afetos existentes na periferia do capitalismo e nascedouro do neoliberalismo na América Latina. “Ema” (2019), se passa na cidade de Valparaíso, Chile, no contexto contemporâneo, no qual a jovem bailarina busca lidar com as desventuras causadas pela adoção malsucedida do menino colombiano Polo, juntamente com seu marido e o coreógrafo Gastón, doze anos mais velho e estéril. A trajetória traçada por Ema para reaver Polo é intensa, desordenada, ousada e violenta. Pautada por diversos conflitos, desde a assistência social, até com o marido, e a sedução do casal que acaba por adotar Polo. Ema é um filme sobre uma protagonista destemida e intensa em seus desejos de mãe, de bailarina e de mulher bissexual. Essas três instâncias de desejo são expressas pelo corpo de Ema, sua interação com outros corpos, com o espaço urbano e com a dança. É sua potência de afetação que mobiliza a narrativa, é através da dança – o reggeaton-, que ela pulsa e emana para todas as instâncias pró e para narrativas a sua intensidade.
    Ema é um corpo que ocupa os diferentes espaços e é movida por seus desejos, sem pudores ou limites. A dança se apresenta como catalisadora das pulsões desse corpo periférico, especialmente a dança de rua, distante dos holofotes dos palcos e dos controles de uma cultura burguesa pasteurizada para o consumo de turistas. O reggaeton nas ruas é potente, vibrante, incontido, incendiário, expressando uma coreografia orgânica, sexual e carnal e, por isso, portadora dos afetos disruptivos que movem a personagem. Essa dança popular urbana entra em conflito direto com a dança de vanguarda coreografada por Gastón, sendo a primeira pautada pela liberdade dos movimentos e da sensualidade e a segunda por uma racionalização gourmetizada.
    A fim de compreender como a relação entre dança, cinema e sexualidade atuam no interior da obra fílmica e como essas tensões e intensidades extravasam o corpo fílmico e chegam ao corpo do espectador serão agenciados os conceitos de economias afetivas e circulação cultural dos afetos de Sara Ahmed. Além disso, a noção de ressonância carnal proposta por Susan Paasonen nos auxiliará a compreender a relação entre corpo, dança, ritmo e mise-en-scène, bem como as reflexões de Erly Vieira Jr. sobre a tradução sensória dos corpos dissidentes. As reflexões sobre o papel político da dança e a relação entre coreografia e performance serão auxiliadas por leituras de André Lepecki. As relações entre feminismo, sexualidade e performatividade queer serão endereçadas pelos estudos de Silvia Federici e Sara Ahmed. A proposta desse artigo é refletir sobre a potência da dança popular periférica performada pelo corpo feminino naquilo que ela ativa de pulsão e desejo de emancipação sexual e política, bem como o papel dos corpos em cena e as intensidades agenciadas por eles e seus reflexos numa espectatorialidade dissidente.

Bibliografia

    AHMED, Sara. The cultural politics of emotions. New York: Routledge, 2004.
    AHMED, Sara. Queer Phenomenology: orientations, objects, others. Durkham and London: Duke University Press, 2006.
    FEDERICI, Silvia. O feminismo e a política dos comuns. In: Pensamento feminista: conceitos fundamentais. Org. Heloisa Buarque de Holanda. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2019.
    LEPECKI, André. Exhausting dance: performance and politics of movement. New York: Routledge, 2006.
    LEPECKI, André.Coreopolítica e coreopolícia. ILHA: Revista de Antropologia, 13(1), 41-60, 2012.
    PAASONEN, Susan. Carnal Ressonance. Affect and Online Pornography. Cambridge, Massachussets: The MIT Press, 2011.
    SERRANO, Aarón Rodríguez. La ciudad, el arte, los cuerpos: resignificaciones del espacio fílmico em Ema (Pablo Larraín, 2019). Revista 180, 47, 41-51. 2021.
    VIEIRA JR, Erly. Exercícios do olhar, exercícios do sentir: ensaios e críticas sobre artes visuais. Vitória: Cousa, 2019.