Trabalhos Aprovados 2022

Ficha do Proponente

Proponente

    Laís dos Passos Lara (UFF)

Minicurrículo

    Bacharel em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense / UFF. Mestre, e atual doutoranda, em Estudos Contemporâneos das Artes – PPGCA pela UF. Pesquisadora-artista com ênfase em Audiovisual, pesquisando principalmente os seguintes temas: O corpo e a Imagem em Movimento na interface arte e filosofia: ética e estética, processos de criação, dança, cinema e audiovisual contemporâneo. Pesquisadora Jr. no INCT Proprietas. Fundadora Galeria Gretas.

Ficha do Trabalho

Título

    Imaginar lugares: Modos de criação audiovisual em Cidade-Cenário.

Mesa

    Outros cinemas

Formato

    Presencial

Resumo

    A presente proposta visa pôr em debate questões sobre os processos de criação audiovisual e suas relações com os espaços relacionais de dois possíveis “caminhos” audiovisuais. Estes caminhos audiovisuais se justificam: um lado pela criação da obra em si e por outro pela instalação da mesma em ambiente virtual 3D. O objetivo é tratar a propositura da concepção da cidade como cenário e dedicar-se a análise dos processos criativos incidentes na trilogia de videodança/videoarte Cidade-Cenário.

Resumo expandido

    A presente proposta visa pôr em debate questões sobre os processos de criação audiovisual e suas relações com os espaços relacionais de dois possíveis “caminhos” audiovisuais. Lança a proposta raízes no doutoramento em estudos contemporâneos das artes e, para além desta circunscrição, nos vários desenvolvimentos possíveis para visões com escopo que inclua o campo da arte urbana. O objetivo é tratar a propositura da concepção da cidade como cenário e dedicar-se a análise dos processos criativos incidentes na trilogia de videodança/videoarte Cidade-Cenário.
    “Cidade Cenário” é uma proposta em movimento. Inspiradas pelo conceito cidade-cenário de Paola Berenstein, propomos videodanças/videoarte experimentais em interação tátil com asfalto, próximo aos tempos de quase-fim da pandemia. Pés descalços, diagonal entre carros, sons, a luz refletida nos espelhamentos dos prédios… passantes. Em tempos de evitamentos, “cidade e cenário” é uma provocação, um chamamento à experiência-cidade.
    Um desdobramento para o exame da proposta é a instalação audiovisual dentro de um espaço virtual através do uso da Gretas, galeria. Gretas é uma galeria virtual 3D projetada com uma proposta estética baseada em jogos online, transbordando entre-fronteiras do cubo branco, a câmara escura, os jogos onlines, realidades virtuais e os reais fabulados. Onde toda a exposição é uma proposição a uma experimentação sensorial, da qual tornou-se intensificada com a instalação audiovisual Cidade-Cenário, como uma espécie de audiovisual dentro do audiovisual.
    Inserida genericamente pensamos a cidade atualmente como um espaço de muitos passantes, entretanto atravessada por poucos corpos. Vivemos um tempo de convite a “evitamentos”, o que míngua, de certa forma, a experiência-cidade e seus muitos possíveis. Cidade-cenário é uma provocação aos que pensam/pretendem uma cidade desencarnada, é um chamamento à experiência-cidade.
    Com uma metodologia transdisciplinar, ou, ainda, com uma propositura metodológica a partir de zonas confluentes (audiovisual, cinema, dança), nossa proposta foi produzir uma dramaturgia do erro e dramaturgia do risco, um convite à errância, uma profunda experimentação câmera, cidade, corpo e movimento. Tais fatores importantíssimos para a criação de Cidade-Cenário, o Erro e o Risco, tornam-se imagem em movimento, provocando as potentes sensações lacunares que chegam com estes, como a vulnerabilidade pela entrega, gerando uma obra audiovisual encarnada, onde todos os autores se colocam em jogo: cinegrafista, bailarina, coreógrafa, editora e diretora.
    A presente investigação composta por três videodanças/videoarte, terá aspectos práticos realizados a partir da repetição e regravação em distintos espaços lugares/cenários. Levantamos questões cruciais de nossa pesquisa abordando os processos implicados nas várias relações expressas na cidade enquanto cenário, nos conceitos imagem-movimento/imagem-tempo, corpo-autor, montagem, originalidade, criação entre outros.

Bibliografia

    DELEUZE, Gilles. O que é um ato de criação?. Palestra de 1987. Edição brasileira: Folha de São Paulo, 27/06/1999. trad: José Marcos Macedo
    ______ O que é um dispositivo. In Foucault. Tradução Cláudia Sant’Anna Martins, São Paulo, Ed. Brasiliense, 2005.
    ______ A Imagem-movimento, Cinema 1, São Paulo, Editora 34, 2018
    GIL, José. Movimento Total – O corpo e a Dança. Lisboa: Relógio D’Água Editora. 2001.
    GUÉRON, Rodrigo. – Da imagem ao clichê, do clichê à imagem: Deleuze, cinema e pensamento. Rio de Janeiro: NAU editora. 2011.
    GUIMARÃES, Cao. Histórias do não ver. Rio de Janeiro: Cobogó Ltda. 2013
    JACQUES, Berenstein Paola – Corpografias Urbanas. arquitextos ISSN 1809-6298
    093.07ano 08, fev. 2008
    LEPECKI, André – Exaurir a Dança: Performance e a Política do Movimento. São Paulo: Annablume Editora. 2017.
    _____________ – Errância como trabalho. in Paulo Caldas e Ernesto Gadelha. São Paulo. Nexus, 2016
    RANCIÈRE, Jacques. – O destino das imagens. Rio de Janeiro