Trabalhos Aprovados 2021

Ficha do Proponente

Proponente

    MICHELE DE LA CRUZ (UTP)

Minicurrículo

    Michele Aline Jeremias de La Cruz-Mestranda do PPGCom – UTP – Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Linguagens da Universidade Tuiuti do Paraná , na Linha de Estudos de Cinema e Audiovisual. Membro do GP CIC-CNPQ (em parceria com CIAC – Portugal). Bacharel em Pedagogia e Especialista em Gestão de organizações educacionais pela Universidade Positivo. Orientadora no SESC-PR. E-mail: Programacine20@mail.com

Ficha do Trabalho

Título

    A ênfase poética no cinema experimental do Irã: Pluralidade estética

Resumo

    O presente resumo tem como escopo analisar a ênfase poética imanente às produções cinematográficas do cinema iraniano, que serão analisadas nesta pesquisa a partir do viés da pluralidade estética resultante das hibridações que tensionam ficção e documentário. Serão investigadas as estratégias estilísticas que configuram o cinema de poesia dos cineastas Abbas Kiarostami em Gosto de Cereja (1997) e Cópia Fiel (2010), Samira Makhmalbaf em A Maçã (1998) e Jafar Panahi em Taxi Teerã (2015).

Resumo expandido

    O Novo Cinema Iraniano, que após a revolução islâmica (1979) apresentou acurada qualidade estética ao cenário cinematográfico mundial, não apenas pela inserção de uma estilística inovadora e distanciada da produção comercial, mas por se aproximar do cinema de vanguarda europeu, distinguindo-se, no entanto, por elementos culturais alegóricos, artísticos, literários e religiosos procedentes da cultura persa. Dentre os multifacetados aspectos do estilo deste cinema, encontra-se a ênfase poética, que recria estruturas expressivas autorreflexivas e revela, na tessitura das imagens, estratégias de aniquilação do limiar ficção-documentário.
    Enquanto cinema pós-revolucionário, vem explorando ao longo dos anos abordagens objetivas em que o autor é “um autêntico agente coletivo” (ELENA,1998) e um catalisador da atmosfera de cerceamento por parte da república islâmica.
    As experimentações produzidas pela estética da ambiguidade, “que se dá entre o que vemos e o que não nos é revelado” (ARAUJO e DE LA CRUZ, 2020) evidencia a hibridação poética, resultante desta tensão que perpassa tópicos sobre a condição humanista, social e política do Irã, e se revela como artifício cinematográfico de seus realizadores; autores que se dão a conhecer pela “estética da sugestão” (ECO,1993, p.24) e que almejam a cumplicidade criativa do “espectador emancipado” (RANCIÈRE, 2008) capaz de associar e dissociar as lacunas das narrativas, distanciando-o de uma condição passiva deste modo.
    A presente pesquisa tem como objetivo geral explorar as estratégias estéticas desse pluralismo inerente às produções dos cineastas Abbas Kiarostami, Samira Makhmalbaf e Jafar Panahi, com os respectivos filmes: Gosto de Cereja (1997) e Cópia Fiel (2010), A Maçã (1998) e Taxi Teerã (2015), filmes estes que compõem o corpus desta análise, enquanto materiais expressivos empreendidos para a produção de uma impressão de realidade “primordial e arquetípica” (AUMONT, 2003) e que utilizam a câmera como experiência estética na montagem dos longas para esta finalidade.
    Visando também responder ao problema e objetivos propostos na pesquisa de dissertação do Mestrado em Comunicação e Linguagens da UTP (Universidade Tuiuti do Paraná), o objetivo secundário desta análise consiste em investigar a condição de espectador emancipado do público, que assiste às produções enquanto agente ativo da narrativa, amiúde indeterminada por estruturas realistas ou incompletas, que se materializam imageticamente pelo “princípio da incompletude” (BERNARDET, 2004), ferramenta da estética relacional que, neste contexto, se apresenta como estratégia de montagem dos filmes, que também passam pela construção de um cinema político e de “intervenção social” (MELEIRO, 2006).
    A metodologia consistirá em uma investigação cientifica que será baseada em uma pesquisa qualitativa e bibliográfica, na qual serão elaborados métodos hipotético-dedutivos que permitirão elucidar os fatores estilísticos do cinema iraniano, dentro de um contexto em que se pretende “fazer aparecer mais realidade na tela” (BAZIN,1991), com vistas à manifestação do “real, humano e social” (XAVIER, 2005) como material imprescindível da pluralidade presente neste cinema. O problema consistirá em encontrar uma síntese que privilegie a abrangência da tensão entre realidade e ficção explorando os elementos do corpus para isso. A presença do “enquadramento insistente” conforme proposto por (DELEUZE, 1992) será também investigada na análise, sendo um dos elementos estéticos que revelam o cinema de poesia na dilatação do tempo na decupagem dos filmes.

Bibliografia

    ARAUJO, Denize e DE LA CRUZ, Michele. Pluralidade estilística no cinema de Abbas Kiarostami. Revista Cambiassu, v.15, n. 26 – Jul/dez.2020.
    AUMONT, Jaques. Dicionário teórico e crítico de cinema. Campinas: Papirus, 2003.
    BAZIN, André. O cinema: ensaios. São Paulo: Brasiliense, 1991.
    BERNARDET, Jean-Claude. Caminhos de Kiarostami. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
    DELEUZE, Gilles. A imagem-tempo. São Paulo: Brasiliense, 1992.
    ECO, Umberto. Obra aberta: forma e indeterminação nas poéticas contemporâneas. São Paulo: Perspectiva,1993.
    ELENA, Alberto. Los Cines Periféricos – África,Oriente Médio, Índia. Barcelona, Paidós Studio, 1998.
    MELEIRO, Alessandra. O Novo Cinema Iraniano: arte e intervenção social. São Paulo: Escrituras, 2006.
    RANCIÈRE, Jacques. O Espectador Emancipado. Rio de Janeiro: Martins Fontes, 2008.
    XAVIER, Ismail. O discurso cinematográfico: a opacidade e a transparência. Rio de Janeiro: Paz e Terra,1977.